19 de dez de 2008

Leituras de Natal

O título deste post poderia muito bem se chamar "Deus: Verdade ou Delírio?" pois andava realmente encucado com a questão de Deus. A propagação do “novo ateísmo” inaugurado em 2006 com os barulhentos livros de Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris, aliado aos recentes livros dos filósofos Luc Ferry e André-Comte Sponville, inevitavelmente atingiram um pouco a minha consciência e a estrutura da minha fé. A questão que se reergueu foi basicamente a seguinte: as descobertas e o raciocínio científicos e o correto exercício filosófico podem abalar a essência da fé em Deus?

A inquietação me levou à busca obstinada por respostas consistentes. Foi então que conheci um livro que fuzila diretamente um dos alvos: O Delírio de Dawkins de Alister McGrath e Joana McGrath. Alister é doutor em biofísica molecular e é colega do próprio Dawkins em Oxford. Um sinal interessante é que após um longo tempo no ateísmo resolveu estudar teologia. Joana, sua esposa, é psicóloga e estudou teologia cristã. O livro por si só desmascara o ateísmo militante de Dawkins; suas inúmeras investidas desonestas e, no fim das contas, Alister mostra que o cientista neodarwinista não passa de um ateu fundamentalista em nada diferente (apenas com o sinal invertido) dos religiosos fundamentalistas. De acordo com Alister, Dawkins assume uma posição tão infundada que envergonha a classe de cientistas. O livro vale muito a pena.

Outro livro bastante útil à discussão foi A Linguagem de Deus escrito pelo biólogo americano e diretor do projeto genoma Francis Collins. Aqui, Collins escreve sobre a suposta oposição entre fé e ciência, revelando o engano de tal disjunção. Além disso, aborda a questão do criacionismo, darwinismo, agnosticismo, a idéia de que a religião é anti-racional, o design inteligente, até tópicos anti-religiosos divulgados nos livros dos ateístas contemporâneos. Ainda estou lendo o livro e sugiro fortemente a sua leitura.

Por fim, gostaria de mencionar um livro que acabo de receber e que promete. Trata-se do livro do filósofo inglês Antony Flew com o sugestivo título: Um Ateu Garante: Deus Existe. As provas incontestáveis de um filósofo que não acreditava em nada. Flew, para quem não sabe, além de ser um autor político libertário (escreveu diversos ensaios e um livro contestando o igualitarismo liberal de John Rawls) foi um dos mais consistentes filósofos ateus ao longo de 50 anos. Neste livro a discussão muda o foco daquela presente nos livros anteriores, porque é filosófica. No fim, porém, há um adendo do filósofo Roy Abraham Varghese reagindo ao “novo ateísmo" militante. De fato, este livro parece ser dos mais interessantes.

Enfim, este post foi apenas uma tentativa de partilhar uma boa notícia (a existência de bons livros!) com os leitores que honestamente se interessam pelo tema da metafísica, da ciência, da religião e como estas disciplinas se relacionam. Um Feliz Natal!

7 comentários:

Gabriel Zanotti disse...

Muy importante búsqueda, Lucas, digna de quien ama realmente la verdad..............

JOÃO MELO disse...

Lucas,tenho aqui na fazenda o livro DEUS um delírio, do Dawkins. Cheguei a ler alguns trechos, mas apenas por curiosidade.
Acredito em DEUS, mas gosto de ouvir/ler o outro lado de qualquer questão, para não ter preconceito sem conhecimento do fato. Grato pelas indicaçoes que voce postou. Abraço, João Melo, direto da selva.

Anônimo disse...

Lucas

Tenho lido vários textos do instituto mises, mas uma dúvida surgiu e ainda ng respondeu

Os austríacos afirmam que em uma recessão a intervenção governamental só piora as coisas, pois acaba-se injetando dinheiro na economia para sustentar a parte podre.

Até aí tudo bem

Porém alegam que essa intervenção governamental só prolonga a recessão em vez de dimnuir o seu prazo de duração.

Minha dúvida surge aí.

Pq (mesmo após bastante tempo) a economia se recupera com as injeções de dinheiro do governo ?

A economia não deveria ficar eternamente estagnada, pois esse dinheiro seria alocado em setores podres e inúteis ?

Já de antemão, agradeço

Lucas Mendes disse...

Caro Anonimo,

Quanto à questão 1, a economia se "recupera" com as injeções de dinheiro do governo da mesma forma que o consumo de heroína alegra o viciado em abstinencia.

Quanto a questão 2, uma economia não fica eternamente estagnada, salvo se houver uma uma pesada intervenção estatal nos mercados, com elevados impostos, regulações etc. que impedem a operação do mercado (ação humana).

Agora, não sei se vc leu, mas os dois artigos abaixo, ambos do excelente Robert Murphy, explicam bem as duas questões suas. Confira

Paul Krugman, a atual crise, sushis e a importância da teoria do capital (em
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=180).

Consumidores não provocam recessões
(em http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=191).

Abraço
Lucas

prjulio disse...

Em todo este amontoado de opiniões ateístas, aplaudidas e reverenciadas pelos progressistas, estou tão cansado de ver gente execrando pastores e aplaudindo ateus, que já estou preocupado com as minhas reações.
Antes eu debatia, depois tornei- me irônico, seguiu-se o sarcasmo e agora estou com medo de me tornar um cínico.
Aos que questionam a existência de Deus ou não, já estou respondendo que existem duas maneiras de se lidar com a idéia: Ou se acredita simplesmente nEle ou se espera a morte chegar para ter certeza. Mas parece-me que em algumas pessoas, não vejo chance alguma de convencimento e acabo "dando de ombros". Tenho a impressão de que, quando a coisa chega no nível do cinismo, não há retorno.

Anônimo disse...

Ao prjulio

Tenho essa impressão tb com meus colegas ateus.

Mas de qq forma isso vale para qq assunto

Anônimo disse...

Alguem sabe de o nouriel roubini é ou foi um economista da escola austríaca ?