11 de set de 2010

Não é de competência que estou falando


Noventa e nove por cento dos eleitores que votam no Serra optam por ele porque consideram que a Dilma e sua turma não tem “capacidade” ou “competência” para governar o país, ao passo que Serra, em comparação com sua oponente, teria. Desse modo, argumenta-se que, em nome do bom senso e da razoabilidade, convém votar no Serra. Em geral, essa é a opinião da imensa maioria dos eleitores. Destaco que não estou falando daqueles que votam no Serra porque ganharão um cargo político ou uma boa conexão política com o Governo. Refiro-me ao grosso do eleitorado que vota no Serra. Todavia, como tentarei demonstrar, considero esse tipo de opinião sobre a política nacional – competente versus incompetente - uma verdadeira opinião sonâmbula, de quem perdeu totalmente o senso da realidade e das proporções.

A real questão que envolve as próximas eleições infelizmente não se circunscreve à assuntos de competência administrativa, mas sim na própria sustentabilidade da Democracia, do Estado de Direito e da Liberdade. Tais termos, hoje, se tornaram abstratos demais para as massas, e não me refiro exclusivamente aos pobres, mas incluo todas as camadas da sociedade cujo horizonte de vida não ultrapassa o que o saldo de sua conta bancária informa. Em grande medida por conta dessa obsessão dinheirista, o brasileiro perdeu toda a capacidade de ver o que está acontecendo. Vale dizer, perdeu o senso do real e da crítica.

Deveríamos estar alertas porque o Brasil está caminhando a passos largos à uma ditadura de matiz comunista, como jamais o PT deixou de sonhar, em que pese as falsas aparências. Podemos citar algumas ações que ilustram o que estou dizendo. Em 2001, o Presidente Lula concedeu apoio às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), prometendo jamais condenar como terrorista esta entidade. Até as pedras sabem que a) as FARC são produtoras e distribuidoras de cocaína para todo o continente latino-americano e que b) ela pratica o terrorismo e o sequestro. Você sabia que, em decorrência do narcotráfico, a taxa de homicídios no Brasil já ultrapassou a casa dos 50 mil por ano, mais do que na guerra do Iraque? E, como se não bastasse, ao negar publicamente a condenar as FARC como entidade terrorista, nosso Presidente condenou o governo da Colômbia por fazer “terrorismo de Estado” contra a organização clandestina. Aí vem a pergunta que não quer calar: como será possível combater o narcotráfico que arrasa famílias e comunidades inteiras, se o PT tem acordos de apoio mútuo com os fornecedores da mercadoria, que além de tudo, estão mais bem armados que o Exército Brasileiro?

Tamanha cumplicidade está consignada no acordo celebrado entre o Presidente Lula e às FARC, nas instâncias do Foro de São Paulo, entidade que anualmente reúne partidos e entidades de esquerda radical do continente latino-americano. Tais entidades buscam unificar ações em escala continental a fim de implantar o comunismo ou o "socialismo bolivariano".

A estratégia é tão abrangente e aparentemente desconexa que alguns grupos agem através da violência, como, por exemplo, o MST e outros grupos terroristas, enquanto outros atuam nas esferas da ação democrática, como faz o PT e outros partidos políticos. Dada a abrangência do movimento, muitos, por ignorância, fazem parte dele sem saber realmente do que afinal estão participando e fomentando. Daí também originou-se a própria ideia de que o PT mudou, que virou “cor-de-rosa”, como anunciou certa vez a capa da Veja. Tal ideia de “mudança” do PT faz parte da trajetória desse objetivo maior que é implantar o socialismo no Brasil, conforme bem estampado no primeiro artigo dos estatutos dessa agremiação partidária.

E, para além desse flagelo, o Governo Lula quis aprovar a Lei da mordaça, a legalização do aborto, o controle da imprensa por “movimentos sociais”, e o malfadado Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3): tais ações são cristalinas em indicar o irrevogável objetivo do PT. Dona Dilma já declarou seu apoio ao aborto, autorizando o morticínio de crianças em nome de uma falsa liberdade da mulher. Uma leitura no PNDH-3, ainda que rápida, nos indica o enfraquecimento do direito de propriedade privada através tolerância e complacência com as invasões de terra e de imóveis.

A estratégia é a seguinte: de um lado os “movimentos sociais” pressionam e agridem e, de outro, o partido governante institui leis que abonam as reivindicações dos ditos movimentos, como se fossem reivindicações unívocas da sociedade como um todo. A fórmula tem tido notável êxito e garantido importantes avanços no processo de comunização do Brasil.

Diante desse quadro sinistro, ninguém tem feito a real discussão política. A própria oposição (ou o que deveria ser oposição) acredita piamente que o PT está jogando o jogo democrático. Tal piada nunca deveria ser levada a sério por nenhuma liderança ou partido político. É assombroso como as esquerdas tiveram êxito em moldar a própria linguagem da oposição, como ensinara Antônio Gramsci, o teórico do partido comunista italiano.

Nesse cenário degradante, quem não for do PT, restou a distinta honra de ser office boy do partido, como nos mostram as contundentes vidas de Fernando Collor de Mello, José Sarney, Alceu Collares, para não falar na expressiva parcela do empresariado brasileiro.

Contudo, este é o tempo para acordar!

Há que se combater os inimigos da democracia com as palavras e ações que tais grupos merecem. Com coragem e intrepidez. Sem concessão. Quero ressaltar que, infelizmente, não é competência ou capacidade administrativa que estão em jogo nestas eleições. O problema a ser resolvido é bem maior do que esse. É o futuro de uma nação que se pretende livre de uma ditadura vermelha.