21 de mar de 2003

O Antiliberalismo

Acabo de ler o pequeno livro "Antiliberalismo 2000 - A Ascensão do Coletivismo do Novo Milênio" de David Henderson editado pela UniverCidade (2002). O livro foi um presente que ganhei do Embaixador Meira Penna que é coordenador e editor da obra. Henderson é professor, pesquisador e também economista que já trabalhou em grandes orgãos internacionais como a OCDE e o Banco Mundial.

O pequeno libelo poderia também ser chamado de "a mentalidade anti-liberal", numa alusão ao livro de Ludwig von Mises "A Mentalidade Anti-Capitalista". Eis que o autor pontua uma visão geral da mentalidade anti-liberal predominante no mundo e mostra-nos as falácias que a influência esquerdista internacional insciminam na mente do público leigo. Professores, jornalistas, intelectuais, empresários - que, ressalta-se, não são empreendedores -, políticos, funcionários públicos, militantes e ativistas radicais estão todos no rol dos divulgadores e legitimadores do antiliberalismo.

Essa gente, que no intuito de salvar o planeta da precariedade e da pobreza alarmante vocifera aos quatro cantos do mundo seja em jornais, revistas, livros, teses, conferências, sala de aulas e todo a ambiente onde ventila as infornações e se concretiza a formação de pensamento, a necessidade de um controle internacional da atividade econômica-comercial que possam "garantir" assim, um "progresso sustentável". É exatamente nesse ponto que ele chama a atenção. Como não ser antiliberal, se essa "corrente" (chamaremos assim, embora ela não tenha um corpo definido e coeso já que une uma vasta classe de indivíduos e grupos tão distintos quanto desconhecidos entre si) clama por um "desenvolvimento sustentável"; pelos "direitos humanos"; pelo "meio ambiente"; pelas "injustiças socias"e tutti quanti se (agora!) esses próprios fundamentos estão sendo atrocidados pelo maldito "liberalismo"? A balela persuade facilmente as mentes pueris.

Outro âmbito importante que Henderson salienta é a crença de que existe uma "hegemonia liberal" desde os tempos da revolução industrial. Essa falácia é sustentada pela turma dos "vacas loucas" como sarcasticamente os denomina Meira Penna na apresentação do livro, pelo simples fato de que todo o mal que existe no mundo é causado pelo capitalismo liberal. Os intelectuais tupiniquins não percebem que as falhas e erros de políticas internas dos governos dos países em questão é a substância essencial -eu diria única - para se compreender o verdadeiro motivo do seu atraso e subdesenvolvimento. A responsabilização dos males do mundo que cai sobre o liberalismo e a globalização não passa de um bode expiatório que a "imbecilidade coletiva" usa para inflamar seu discurso demagógico e coletivista que impera no mundo atual e vem a cada dia ganhando mais adéptos, que como jegues atrás da cenoura não sabem ao menos onde vão parar nessa bovina caminhada na luta pelo coletivismo milenar.

No primeito capítulo Henderson evidencia fatos empíricos do contexto mundial mostrando que é exatamente o inverso daquilo que os aitolás antiliberais pregam em suas encíclicas. Afirma ele que: "não se pode culpar a liberalização pela piora na situação econômica dos países da OCDE no começo dos anos 70. Digo que, pelo contrário, pode-se considerar tal declínio como resultante em parte, senão inteiramente, das políticas antiliberais. Tais políticas foram postas em prática tanto antes como depois do agravamento da situação".
Além disso, ainda evidencia que o nível de desemprego na Austrália antes do implemento da liberalização da economia (1983) penalizava quase 10% da pupulação economicamente ativa e que após dez anos de liberalização econômica o desemprego caiu para a pequena taxa de 2,3%. Esse fato é muito elucidativo quando se ouve por aí que o liberalismo é também a causa do desemprego em massa que assistimos em alguns países. Mas observem e notem que esses países são aqueles em que o governo mais proibe a atividade econômica via impostos, regulação de mercado, concessão de monopólio ao setor privado, estatização, regulação do mercado de trabalho, pesada burocracia sobre a produção, controle de preços e da taxa de câmbio e que ainda conta ou espera contar por um Estado-babá que providencie tudo de melhor e o "mais justo" possível para a sociedade tão a mercê dos tempos injustos em que vivem.

A leitura da obra de David Henderson, entretanto, se torna urgente neste preciso momento em que o coletivismo do novo milênio concretizado nas milhares de ONGs "pacifistas" que agitam o mundo todo (sob a tutela da ONU) numa grande campanha anti-americanista e, portanto, anti as tradições do ocidente liberal, levando consigo uma gama de idiotas pateticamente persuadidos de que a cenoura que os comanda os conduzirá ao reino da prosperidade e da abundância coletiva.

18/03/2003



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