31 de dez de 2004

A Causa dos Baixos Salários

A maioria das pessoas acredita que o salário mínimo estabelecido pelo governo é o melhor (e único!) meio para aumentar os salários dos trabalhadores. Essa noção, embora completamente equivocada, está enraizada em nossa mentalidade de tal forma que somos levados a acreditar que os salários são baixos porque o governo não os aumenta.

O preço dos salários, na verdade, está relacionado com a produtividade do trabalho e esta com a disponibilidade de capital que por sua vez, depende da quantidade de poupança disponível. É a relação capital/trabalho que estabelece o grau do salário. Em outras palavras, isso quer dizer que quanto maior for o aporte de capital disponível numa economia em relação a unidades de trabalho disponíveis, maior tenderá ser o salário do trabalhador.

Todos os países subdesenvolvidos têm salários baixos justamente porque o aporte de capital é baixo, ao passo que a mão-de-obra é abundante. Ao mesmo tempo, os países ricos que possuem um maior índice de capital, registram salários maiores. Por isso que os operários do primeiro mundo gozam de um maior bem estar perante os trabalhadores do terceiro mundo.

Contrariamente ao que reza a teoria marxista ainda dominante. Ela diz que os salários são baixos porque os capitalistas exploram os trabalhadores. Ora, é precisamente o contrário o que acontece. É graças ao capital que os salários tendem a aumentar.

É preciso entender que o aumento do bem estar da população não depende da benevolência dos políticos, mas de condições institucionais adequadas para que a poupança seja gerada e os investimentos realizados. Só assim o valor dos salários pode subir sustentadamente. Caso contrário, um canetaço governamental apenas piora ainda mais as coisas. Tem-se que levar em conta que desde que Adão e Eva saíram do paraíso a humanidade vive o drama da escassez de recursos, e ele nos impõe restrições impossíveis de serem removidas pela mera bondade (ou populismo) dos políticos.

2 comentários:

Anti disse...

APRESENTAÇÃO

Lucas Mendes, parabéns pelo seu blog. Tem ótimas colunas que demonstram seu prodígio crítico à economia e politica contemporânea.

Meu nome não é muito relevante, utilizo o nick Anti pois sou contrário ao modelo democrático brasileiro por entender que não vivemos uma verdadeira democracia. Por questão semântica adotei Anti(democrático).

O que importa é que tenho 30 anos, sou liberal, profissional liberal, formado em Tecnologia da Informação e Processamento de dados, profissão a que dediquei 15 anos de estudo. De forma amadora, como Pierre de Fermat, estudo filosofia e realizo pesquisas matemáticas com um amigo matemático do instituto da USP.

Seu blog é realmente um oásis. Tomei conhecimento a partir do blog do Pedro Dória no NoMínimo que me recomendou a visita. Todas as suas colunas merecem apreciação, permita-me comentá-las aos poucos com toda a atenção que merecem. Como poderá presumir, não tenho muito conhecimento na área de economia, mas perceberá que minha capacidade de lógica e interpretação de sistemas é boa, sem modéstia, é meu ofício.

Anti disse...

Concordo, que o governo não é o melhor nem o único caminho para o reajuste salarial.

Você cita 2 fatores, o baixo aporte de capital e a relação mão-de-obra/trabalho, perfeitamente defendidas na causa dos baixos salários. Mas, ainda há muitos fatores que não foram expostos e influenciam o "arrocho". Permita-me incrementar o seu argumento.

Farei um floreio filosófico oportuno: Liberdade é poder, no capitalismo poder é dinheiro, portanto liberdade é dinheiro no bolso. O que contradiz a democracia nas repúblicas das bananas é justamente a inevitável consequência do papai estado. Não interessa aos representantes das massas "carentes" que o cidadão tenha dinheiro disponível, ou liquidez, pois ele perderia o eleitorado. Por isso mesmo é chamado governo populista. A sobrecarga de impostos, o déficit gerado pela má administração e assistêncialismo são as lâminas que estado utiliza para podar a liberdade dos cidadãos nas republiquetas. O governo dos "pobres" é causa primeira da relação nefasta mão-de-obra/trabalho e dos baixos salários que leva as massas a aderir aos programas de esmolas e cotas governamentais, gerando mais déficit, mais populismo e menos democracia. Neste caso refiro-me aos países emergentes cujo capitalismo ainda está na fase industrial. O que a democracia pode produzir em governos gerados da injustiça social e vice-versa, além de luta de classes, crime organizado, corrupção e violência, baixo poder aquisitivo e submissão ao estado ? No estado democrático e injusto na distribuição de recursos o uso da força é similar ao usado no estado autoritário. Por exemplo a polícia militar de São Paulo tem contingente muito superior ao exército nacional. Segurança ilusória, sintoma que a ordem pública está comprometida e há um estado de sitio não declarado. Traço aqui o limite da teoria de Carl Marx, exatamente onde começa a nova fase capitalista, com o mercado financeiro, a globalização e as novas tecnologias de produção, onde o marxismo mostra-se esgotado.

Agora num panorama mais abrangente, incluindo todas as economias globalizadas onde a tecnologia e a especulação financeira geram crescimento do PIB, sem necessariamente gerar postos de emprego, muitas vezes até reduzindo oportunidades de trabalho. Aqui se dá outra forma da relação capital/trabalho e mão-de-obra/trabalho. Isto porque a indústria passa a ser automatizada e a renda popular baseada nos serviços de alto valor agregado, e portanto de auto nível de especialização. O interessante é que a especialização não garante o emprego nem o salário, no entando o serviço não falta o que leva naturalmente ao liberalismo. O problema fica mais grave quando as empresas de serviço e indústria são mal administradas e transferem a fonte de receita do negócio para os papéis da bolsa. É quando o rabo abana o cachorro, o chamado neo-liberalismo. O capital viaja de país em país sem que nada de concreto seja feito dele. Muitas ações de empresas aparentemente sólidas são verdadeiras bombas-relógio, e podem implodir muitos postos de trabalho quando o risco alto encontra a irresponsabilidade e a fraude de balanços. Mais seguros estão os profissionais liberais.

O profissional liberal tem retorno financeiro em média 300% maior, no desempenho da mesma função como assalariado. Entre as causas deste desequilíbrio está a legislação paternalista do estado com a CLT, os impostos trabalhistas e os sindicatos (que contraditoriamente exploram ainda mais o trabalhador). Um aspécto importante da relação trabalho/emprego no liberalismo é a diferença entre produto e serviço na economia baseada em serviços.

Os produtos são itens de série, e são na maioria das veses fabricados em ritmo pulsativo médio, de acordo com parâmetros de estoque mínimo/consumo. A própria administração empresarial ainda contém muito da escola mais "cartesiana" de Henry Ford. O mesmo não aconteceu com os serviços.

A administração dos serviços segue as bases da administração de marketing. Convenhamos, como método está muito, muito aquém das técnicas industriais.

Os serviços tem excesso de peculiaridades, envolvem relacionamento e pessoas, muitas variáveis que o marketing propõe simplificar (leia-se reduzir opiniões diversificadas para criar grupos consumidores). Tarefa que poucas veses tem sucesso. O mais relevante é que os serviços são sazonais, mais personalizados e até ocasionais. Portanto atualmente não há tecnica totalmente eficiente para a padronização, programação de custos, de pessoal, etc. para serviços em médio e longo prazo.

O profissional de serviços é melhor remunerado, mas migra de ocupação mais vezes porque trabalha por demanda. A demanda de serviços é altamente influenciada pelos humores do mercado financeiro e câmbio na relação capital/trabalho. Os salários por sua vez são fortemente influenciados pela demanda específica (leia-se investimento direto de capital, nacional ou extrangeiro) no setor. Em serviços geralmente vale a máxima de maior especialização maior remuneração. É interessante ter pelo menos duas especializações para garantir a empregabilidade e melhor negociação salarial. Para os mais corajosos e empreendedores, ser o próprio patrão é ainda melhor, apesar do governo.