22 de dez de 2002



Opção Preferencial pela Pobreza

Lucas Mendes


Os supostos defensores dos excluídos são as pessoas mais pueris que já conheci. Nada contra os fins os quais almejam, aliás, reconheço a nobreza das ambições. Mas sim os meios pelos quais acreditam que conduzirá aos fins almejados.

Para começar acreditam piamente que o governo deve solucionar todos os problemas da existência social e até econômica. Acreditam também, que os sindicatos são um ente em defesa dos interesses dos menos favorecidos. Não enxergam que na luta para "defender" os trabalhadores empregados com aumentos salariais aquém daquele nível em que os empregadores estão dispostos a pagar, por outro lado, estão inviabilizando a contratação de outros trabalhadores desempregados dispostos a exercer uma atividade a uma remuneração menor daquela imposta pelos sindicatos. Invariavelmente os sindicatos além de causar desemprego, pois os empregadores terão de dispensar alguns trabalhadores devido o alto nível de salários que terão que pagar, eles, por outro lado, punem os trabalhadores desempregados (os mais pobres) dispostos a trabalhar por uma remuneração inferior aquela defendida pelos sindicatos. No fim de tudo, os sindicatos causam desemprego e penalizam os mais pobres.

Outra crença não menos idiota da militância cheia de boas intenções é a repugnância ao capital estrangeiro, bem como os bens e serviços oriundos do exterior. Assim, clamam para o governo proteger a indústria nacional. Sua cegueira não os possibilita visualizar que o governo ao proteger determinados setores da indústria nacional (ou todos) penaliza diretamente os consumidores que poderiam adquirir produtos de melhor qualidade e por um preço mais módico caso não houvessem barreiras e proteção a sua entrada. Com essa política, além do Estado privilegiar determinado grupo de empresários, penaliza, por outro lado, as classes de menor renda que caso não houvesse a proteção poderiam adquirir os produtos importados a um menor custo. E mais, aquelas classes que antes tinham condições de comprar os produtos nacionais mais caros, poderão agora direcionar aquela diferença que pouparam, na obtenção de outros bens e serviços, estimulando desse modo outros segmentos da economia. Ou ainda, poderiam poupar o dinheiro para um consumo futuro ou investimento futuro, garantindo assim, a sustentabilidade da atividade econômica.

Mais uma. Os supostos defensores dos excluídos também não enxergam que ao exigir do Estado a provenção de serviços em praticamente toda a esfera da vida social, não vislumbram (pois acreditam que o governo é mágico e pode criar e emitir dinheiro a esmo) que ao exigir do Estado tal bem ou serviço o Estado precisa necessariamente aumentar os impostos sobre a população para angariar recursos para executar o objetivo da casta enganjada na efetivação de tal "projeto". Se os indivíduos ficam com o dinheiro para si, para gastar ele de acordo com seus gostos e preferências estabelecidos segundo sua escala de valor individual e intransferível e não entregando ele ao Estado via tributos [fácil forma que o Estado tem de nos roubar]; seria a melhor e mais justa forma de distribuir renda que um governo poderia fazer.

Ainda mais. Os supostos defensores dos menos favorecidos acreditam que o sistema capitalista é o grande inimigo deste grupo. Grande bobagem. Tapados pela cegueira ideológica que os une e os soterra no fundo de um poço, ainda não enxergaram que após o advento do capitalismo nos países mais desenvolvidos (e só o são por que houve garantia de liberdade nos mais diversos aspectos da vida social, econômica e política) os trabalhadores tiveram um nível de vida jamais atingindo em toda a história da humanidade. Sobretudo na trágica história do séc. XX onde o socialismo real, suposto legitimador dos interesses da classe proletária, pode mostrar o quão ineficiente é em suas demonstrações práticas. Sem levar em consideração a mancha vermelha de sangue que este regime relegou a humanidade.

Infelizmente este é o mar de falácias (que precisam ser demonstradas o quão inúteis e prejudiciais são para conjunto da sociedade), que predomina no ambiente onde ventila os debates de cunho "social" e econômico, que nesta parte do mundo determinados grupos e segmentos da sociedade, uns até mesmo sem o mínimo conhecimento de causa sobre os assuntos os quais procuram "debater" para o público em geral, tomaram para si a digna tarefa de defender os pobres e excluídos. Afora as boas intenções uma verdadeira tragédia econômica e social.

17/11/2002

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