28 de dez. de 2003

Por que o Brasil não cresce

O grande desafio do governo Lula, ao menos é isso que a população está esperando de imediato e o foco de pressão da mídia direciona, é o crescimento da economia brasileira em 2004. Claro que a elite governamental (Zé Dirceu, Palocci et caterva) sabe disso e trabalharão para que o crescimento venha. Após o primeiro ano de administração petista e um crescimento zero do PIB no final do período com a taxa de desemprego ao redor de 13% da população economicamente ativa (no fim da era FHC estava na ordem dos 9%) o governo necessita gerar o crescimento econômico a fim de reduzir o desemprego e as crescentes demandas sociais causadas pela falta de renda e pela pobreza que cresce na medida em que o PIB estaciona ou regride. Este é o âmago do cenário interno brasileiro. Crescimento econômico zero, renda em queda e pobreza em alta.

Para contornar esse trágico quadro, o governo tratou durante o ano de 2003 em reduzir em 10 pontos percentuais a taxa de juros, de 26,5 para os atuais 16,5%. De fato essa afrouxada na política monetária permitirá, na medida em que os agentes econômicos reduzam os juros do comércio, um aumento do consumo e um ganho de renda. Essa foi a primeira ação governamental para dar início ao ciclo de crescimento.

Desculpe o pessimismo, mas decorre que esse ciclo não perdurará. O Brasil sofre gravemente de uma restrição externa. Qual seja, a necessidade de gerar superávits na balança comercial a fim de angariar poupança externa, já que a capacidade interna de poupar está comprometida em virtude da escorchante carga tributária sobre a população. Para se ter uma idéia, em 2003 o Brasil teve um saldo na balança comercial ao redor de R$ 25 bilhões. Uma cifra espetacular. Isso explica-se, por que o medíocre crescimento econômico não permitiu uma demanda por produtos estrangeiros, que por outro lado, adquiriram bastante do Brasil.

Os reflexos da queda na taxa de juros no decorrer de 2003 só serão sentidos agora em 2004 onde teremos um aumento da demanda gerada pelo afrouxamento monetário. Esse aquecimento da economia, segundo estimativa do otimista Luiz Fernando Furlan, ministro do desenvolvimento, poderá resultar num crescimeto de 4% do PIB. A expanção econômica repercutirá, invariavelmente, no desempenho da balança comercial. Eis o cerne do problema. A maior disponibilidade de dinheiro gerada artificialmente pela política expansionista das autoridades monetárias, estimulará a demanda por produtos importados que, por sua vez, pressionará a balança comercial, no sentido de queda do saldo positivo, podendo conforme a intensidade do afrouxamento monetário, resultar num saldo negativo da balança comercial. A nefasta crise cambial (que ninguém deseja) ocorrerá antes disso, exatamente ao primeiro sinal de que o desgaste na balança comercial seja irreversível.

Diante deste cenário o governo será obrigado novamente a aumentar os juros para conter a crise cambial decorrente da crise no balanço de pagamentos. Suspende-se o crescimento. Cultiva-se os perversos ciclos econômicos característicos de governos intervencionistas que insistem na idéia de que cabe ao governo fazer algo pelas pessoas ao invés de ensinar a população a usufruir a sua liberdade e assumir as suas responsabilidades individuais. O Brasil carece de liberalismo, mas está amarrado nas falsas idéias que os centros universitários difundem, os políticos empregam e, finalmente, o golpe fatal recai sobre a sociedade.

13 de dez. de 2003

Duas notas sobre a burritzia: sua ideologia e religião


Quando Olavo de Carvalho afirma que a consciência nacional está doente, contaminada pelo que o embaixador J. O. de Meira Penna classificou de Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida à Ideologia totalitária, ou simplesmente AIDS ideológica, é impossível para quem esteja bem informado e gozando de boa saúde mental não concordar com os dois grandes pensadores brasileiros. A doença que afeta a intelligentzia brasileira – leia-se intelectuais, professores, jornalistas, artistas, escritores e formadores de opinião em geral – é o esquerdismo chique como ideologia e o ódio obsessivo aos EUA como religião sacramentada.

Basta ler o “brilhante” Jabor ou então o mestre Luiz Fernando Veríssimo para termos a descrição perfeita da imbecialidade que acomete a classe falante do Brasil. Ou então, freqüentar qualquer curso universitário, principalmente o das áreas humanas e/ou sociais para ter o retrato acabado da mesquinhez mental de nossas elites. Desde o economista até o pedagogo, o discursinho ressentido é o mesmo, apenas muda o grau de especialização de um e de outro. Dois exemplos que presenciei, embora sejam casos particulares, denotam perfeitamente o contexto geral da virose.

O primeiro foi no corredor da faculdade quando estava passando pelo prédio onde o curso de História tinha aula e dois acadêmicos, um deles um típico petista, um tanto transtornado questionava a si e a seu colega nestes termos: “como pode o Lula estar fazendo essa politicazinha do FMI, essa política neoliberal?” A conversa me chamou a atenção e fiquei por ali ouvindo, já que falavam alto e sem receio. Ora bem, primeiro uma observação: essa idéia de que a política econômica do Lula, assim como era a de FHC, seja liberal, é típica de um aidético mental que não sabe o que fala, embora tenha pompa (ou arrogância?) como seus professores esquerdistas e colegas militantes de DCE, para falar do assunto. Esses sujeitos tacanhos não sabem o que é liberalismo e em nome dele falam os maiores absurdos, como esse estudante contaminado pela AIDS mental tagarelava.

Já abordei o tema, mas é bom voltar a ele, pois algumas perguntas se impõem: Que liberalismo tem um governo (foi assim desde o regime militar) que entregou os canais de educação as esquerdas que hoje dominam estes centros e não apresentam nem um contraponto as idéias lá disseminadas? Parece que ninguém sabe, mas o ensino superior brasileiro não venera outras pessoas senão Karl Marx, Antônio Gramsci, Adorno, Foucault, Marcuse, Sartre, Keynes, Hobsbawn, Chomsky entre outros próceres do esquerdismo mundial, não dando o menor espaço que seja para pensadores liberais ou conservadores, tais como um T. S. Eliot, um Mises, um Spencer, um Johnson, um Hayek, um Voegelin ou até mesmo um Milton Friedman ou Roberto Campos. Nos ensinamentos do comunista Antonio Gramsci, isso chama-se "hegemonia cultural" e para tomar o poder de forma absoluta, Gramsci pregava o controle do aparelho ideológico da sociedade pelos comunas. O Brasil é a máxima expressão das teses do nanico esquizofrênico. Noutro aspecto, que liberalismo há em um governo (FHC) que fez do fisco um agente policial onipotente e duplicou a carga de tributos sobre a economia, passando a arrecadar 36% da renda nacional? E que liberalismo é esse de Lula e do PT (tão falado pela turma dos vaca loucas) que aumentou ainda mais a fúria arrecadatória do Estado, como atestam estudos sobre a suposta reforma tributária elaborada pelos estatólatras petistas? (FEDERASUL, por exemplo).

Mais umas sobre o suposto liberalismo do PT: Não é possível um governo que financia sovietes no campo com dinheiro público ser aclamado de liberal. Ainda mais: pois, que liberalismo há em um governo que está apoiando a China e a África do Sul (duas ditaduras comunistas) num plano de controle mundial da internet? Que liberalismo há em um governo que desarma a população civil privando-a de seu direito de autodefesa? Que liberalismo há em um governo que afaga ditadores assassinos como o último dinossauro do Caribe, Fidel Castro, e mais recentemente o coronel Muamar Kadafi, ditador perpétuo da Líbia? Que liberalismo tem neste governo que celebra acordo de apoio ao narcotráfico internacional das FARC? (www.forosaopaulo.org). Por fim, que liberalismo tem num governo que administra por medidas provisórias? Não caros leitores, nem FHC nem Lula são liberais ou direitistas. São o que sempre foram, socialistas e esquerdistas, e estão muito longe de serem o que a burritzia, para usar o perfeito trocadilho de Meira Penna, acusam de ser.

A distinção que acabamos de fazer é simples. É mesmo primária. Infelizmente, a confusão semântica provocada pela exacerbação das ideologias populistas no meio da multidão e pelo "ópio dos intelectuais" (o marxismo) nas elites pensantes, conduzem a um abuso dos termos de sentidos diferentes, provocando as mais desencontradas discussões e explorações.

Sobre a outra nota do ensaio, sobre a religião civil da burritzia ou o ódio obsessivo aos EUA, presenciei em sala de aula quando um colega comentou a notícia do espetacular crescimento econômico dos EUA no último trimestre de 2003 que beirou os 10% do PIB. Para se ter uma idéia, o Brasil não cresce a essa taxa desde o fim do chamado Milagre Econômico, na época dos militares.

Mas bem, quando o colega acabou de anunciar a notícia do espetacular crescimento americano pareceu que o professor iria sofrer um enfarte, tal foi sua reação diante da novidade repulsiva. Depois de ter engolido a saliva que não estava prevista em seu metabolismo e aliviar o mal estar causado pela novidade, o professor tentou questioná-la, estava visivelmente perturbado, não acreditava no que ouvia, e além do mais deixou transparecer que não leu os jornais dos últimos meses, pois a economia estadunidense, depois do ano recessivo de 2001/2002, desde o semestre passado voltou a apresentar crescimento econômico acima dos 7% do PIB.

O fato a se levar em consideração não é tanto a desinformação do mestre diante das notícias do mundo, pois pode ele estar muito atarefado com suas pesquisas e trabalhos que de fato não permitam o luxo de se ler o jornal diariamente. O lamentável diagnóstico a se levar em consideração é o antiamericanismo enrustido, tão característico das mentes subdesenvolvidas e latino americanas. Os EUA são a maior potência mundial e devem ser admirados pelo heroísmo em ter combatido as ditaduras comunistas ao longo do sangrento século XX; de terem após a II Guerra Mundial reerguido e reconstruído a Europa toda e mais o Japão, este até o exemplo de constituição pegou emprestado dos EUA. Livrados do perigo comunista que permeou as disputas geopolíticas ao longo do século XX, hoje estes países que se aliaram aos americanos, são os maiores concorrentes do próprio Estados Unidos!

Para o Brasil, é ele o país que mais comercializa com o nosso, sendo que o saldo na balança comercial do Brasil com os EUA vem gerando sucessivos superávits. Isto é, vendemos a eles mais do que compramos e isto tem segurado a estabilidade cambial e econômica do Brasil. Caso contrário, estaríamos num processo de endividamento ainda maior, com a inflação presente mês a mês; o bolso do brasileiro, sobretudo do trabalhador, corroído pelo pior imposto que é o inflacionário e o desemprego estaria em taxas (ainda mais) caóticas.

Enfim, enquanto a consciência nacional estiver doente, aplacada pela virose mental que molda a ideologia e a religião dos formadores de opinião, será difícil sair do caminho que nos leva à África, Cuba, Venezuela, Egito, Líbia...

23 de nov. de 2003

Obcecados pelos Juros e pelo poder do Estado

É impressionante a adesão entre os analistas econômicos e os próprios jornalistas da mídia em torno da importância da queda na taxa de juros para o desenvolvimento econômico. Uma notícia de sua redução pelo COPOM (Conselho de Política Monetária) é praticamente noticiado como algo redentor para a economia. Porém, aqueles que ficam eufóricos e acreditam nas propaladas conseqüências benéficas sobre o desenvolvimento com a queda da Selic de 19 por cento ao ano para 17,5 como anunciou o Copom semana passada, possuem uma visão míope, senão, superficial sobre o processo de mercado ou do funcionamento de uma economia. Este comentário, é bom lembrar, não se trata de uma crítica ao grau da queda na taxa de juros determinado pelo Copom, mas a queda da taxa de juros em si, sobretudo, ressalto, àqueles que acreditam nela como meio para o crescimento econômico.

Todavia, neste contexto, é preciso reconhecer que a única virtude direta para o Brasil da queda da taxa de juros é que os títulos públicos deixam de ser mais onerosos ao tesouro. Significa que diminui as despesas do Estado com o pagamento de títulos em que sua remuneração está balizada de acordo com a taxa Selic, aquela que recentemente baixou para 17,5% ao ano. Entretanto, muitos empresários do setor produtivo também entram neste canto da seria de que para o Brasil voltar a crescer se faz necessário a queda dos juros e para isso solicitam ao governo para que assim o faça. Grande bobagem! A queda na taxa de juros é uma variável secundária sobre o desenvolvimento econômico, pois o verdadeiro nó a desatar é outro.

Um país como o Brasil que tem uma carga tributária ao redor de 40% da renda nacional e que há uma tendência desastrosa em aumentar ainda mais a fúria arrecadatória do Estado é o cerne do medíocre crescimento econômico que o Brasil vem apresentado nos últimos anos. Enquanto não reverter a situação do tamanho dos gastos do Estado, num sentido de reduzi-lo significativamente, não haverá como reduzir a carga tributária. Esse é o ponto crucial. O Tamanho dos gastos e a correspondente necessidade do Estado em arrecadar os frutos do trabalho dos empresários e dos trabalhadores. Esses recursos expropriados pelo Estado inviabiliza a geração de poupança por parte dos agentes econômicos e por conseqüência a expansão dos investimentos.

Uma nota a destacar sobre os efeitos da queda da taxa de juros é conforme assinalou o grande economista liberal francês, Frédéric Bastiat (1800/1851), que em política econômica existe os efeitos que se vê e os efeitos que não se vêem, mas que devem ser previstos pelos bons economistas. Embora a queda na taxa de juros possa impulsionar os investimentos que, por sua vez, geram mais empregos, renda e consumo (efeitos que se vê), decorre que logo estaremos a aumentar nossas importações que em breve pressionará de forma negativa o saldo na balança comercial (por enquanto positivo) e novamente o governo será obrigado a elevar a taxa de juros (para frear o consumo), sob pena de implodir um déficit na balança comercial e por conseqüência uma voraz depreciação de nossa moeda. O caos. Esse é o efeito que não se vê, mas que deve ser previsto. Em outras palavras, a queda na taxa de juros não passa de uma solução efêmera, de curto prazo, que apenas gera uma bolha de consumo que estoura logo ali na frente. O caminho para o crescimento econômico sustentável é outro, que passa necessariamente pela redução das gastos públicos mas este caminho não foi escolhido pelo governo que insiste acreditar no poder do Estado.

Mais um ponto a ressaltar sobre a senilidade dos argumentos dos nossos comentaristas é a idéia a respeito do papel do Estado. Desde que Lula ganhou as eleições e com ela a falsa sensação de esperança que se apossou dos brasileiros, os economistas passaram a alardear vertiginosamente que "temos que devolver ao Estado o seu papel de impulsionador da economia; o Estado deve investir mais; o Estado deve baratear os empréstimos; o Estado deve subsidiar 'setores estratégicos' da economia"; entre outras bandeiras populistas. Esse apelos, no entanto, são de fácil explicação. Essa idéia é derivada de um famoso economista inglês, já morto, e que está nas mentes de 99% dos economistas brasileiros: John Maynard Keynes, ou simplesmente, Lord Keynes. Membro fundador do FMI e do Banco Mundial em 1945, Keynes viveu no período pós recessão de 1929 e foi com a "morte do liberalismo" que ele pregou que o Estado deveria investir na economia, mesmo que (inclusive!) gerando déficits em seu orçamento. Ou seja, o que importa é a geração de empregos (efeito que se vê) e para tanto cabe ao Estado gerar, inclusive se endividando. Essa idéia que pegou os economistas pelo coração, foi responsável pela imensa dívida pública responsável pela quebradeira de praticamente todos os países adéptos do keynesianismo. Foi o efeito que não se viu, mas que deveria ser prevsito pelos bons economistas. O Brasil, adépto cego das idéias keynesianas, desde o estouro da dívida externa no início dos anos 80 praticamente estagnou sua economia. Com isso resultou a crescente carga de tributos que recaiu sobre a sociedade afim de custear os gastos do Estado e de seus parasitas pois a idéia do Estado investidor, paternalista, protecionista, provedor etc. gerou uma gigante máquina pública que hoje tornou-se incapaz de se retratar. Keynes, como a maioria dos economistas, foi um sujeito que nunca aprendeu a grande lição de Bastiat, se é que conhecia.

Portanto, se faz necessário ir além da míope visão de que precisamos baixar os juros para crescer, bem como, se desintoxicar da aberração que é colocar o Estado para gerar e distribuir riqueza. O Estado nada cria e nada produz. Apenas tira de uns (o povo) para dar a outros (aos espertalhões). Como falou Nivaldo Cordeiro, um dos poucos economistas sensatos do Brasil: "a suprema verdade em economia está nos manuais do liberalismo". E liberalismo é reduzir o Estado à suas funções necessárias de proteção ao direito de propriedade, segurança nacional, arbitrar conflitos e prover a justiça. Tudo isso com pouco imposto sobre a população, pois o mercado, naturalmente atende as necessidades geradas pela sociedade. Contudo, o mercado deixa de funcionar quando o Estado o entrava, com regulações, protecionismo, burocracia, concessão de privilégios a determinados grupos (monopólios e subsídios) e elevada tributação.

É justamente desse mal que sofre o Brasil mas existe, de fato, uma barreira que não permite que isso seja enxergado. O massacre ideológico anti-liberal que domina o pensamento econômico brasileiro é, sem embargo, a doença (ou demência?) que aflige nosso país.

16 de nov. de 2003

A crise de 1929: uma nota

Dizia Joseph Goebbel, eficiente publicitário de Hitler, que uma mentira repedita mil vezes acaba por se tornar uma verdade inconteste. Na ciência econômica essa é praticamente a regra discursiva dos letrados no assunto. Muitas mentiras em nome de determinadas políticas econômicas são denunciadas em nome de outras. Um exemplo clássico é a crise de 1929 que teria sido a crise do capitalismo ou do laissez faire, baseado nas idéias dos economistas liberais clássicos. Uma mentira tão insustentável quanto um castelo de cartas.

A idéia de que o capitalismo seria autogerador de crises ficou popularmente conhecida com a teoria marxista da superprodução. Reza a teoria que o anseio por lucro imanente ao sistema capitalista levaria a uma superprodução de mercadorias que não teria correspondente demanda, o que os keynesianos viriam a chamar de "demanda efetiva". A teoria de Marx é conhecida. O sistema capitalista divide a sociedade em duas classes, os capitalistas (a burguesia) e os proletariados (os explorados), onde a classe capitalista ficaria cada vez mais rica e opulenta as custas da classe proletária, cada vez mais pobre. Por isso a teoria da superprodução: os trabalhadores não teriam meios suficientes para adquirir toda a produção econômica. É daí que Marx visualiza a revolução das massas afim de tomar o poder do Estado e implantar a ditadura do proletariado coletivizando os meios de produção, em outras palavras, o socialismo. Essa foi a crítica a economia política que Marx fez aos economistas liberais clássicos como Adam Smith, David Ricardo e Jean Batist Say que por conseqüência propôs um sistema altenativo, o socialismo. Não cabe aqui falar sobre o fracasso do socialismo, já tratado em outra oportunidade.

Em verdade, naquela época o mundo científico estava sob forte influência das teses marxistas e por isso perpetuou-se a interpretação da crise de 1929 de acordo com os pressupostos descritos em O Capital. Até hoje a literatura convencional de economia aborda o tema nesta perspectiva. Decorre que esta análise é extremamente falsa e são poucos (quase nem um) economistas que percebe como de fato a crise ocorreu.

Em 29 de Outubro de 1929 a queda da bolsa de Nova Iorque foi o estopim da grande recessão econômica que iniciaria. A atribuição é de que foi justamente a grande produção causada pelas políticas liberais reinantes na época que causaram o colapso das bolsas. De fato ocorreu uma grande produção. A decada de 20 foi uma década de prosperidade econômica singular. O grande erro dos economistas em diagnosticar a crise não foi em observar o fenômeno - a superprodução - mas as causas que levaram a essa superprodução.

O senso comum da interpretação da crise de 1929 reza que o capitalismo teria causado essa crise. Daí as críticas incessantes ao capitalismo e aos economistas liberais do século XX. O problema, entretanto, é que se observarmos a política monetária do FED (o Banco Central dos EUA), nota-se que ao longo da década de 20 ele emitiu moeda em quantidades cada vez maiores que a produção do país, o PIB, aliada a quedas artificiais na taxa de juros, também sob o jugo das autoridades monetárias.

O FED ao emitir moeda em demasia logo inflacionou a economia. Surgiu um período de boom econômico, onde foi puxado pelo aumento do investimento da indústria pesada (de bens de capital) que ao receber esse dinheiro a custos artificialmente baixo investiu nas unidades produtivas. A política artificial do governo em estabelecer a taxa de juros abaixo da taxa natural de mercado, fez com que não ocorresse aumento correspondente aos investimentos na taxa de poupança e a renda gerada no setor de bens de capital se transformou em demanda dos produtos de consumo que ainda não tinham sido produzidos. Como apontou Ubiratan Iorio, trata-se da segunda etapa na cronologia de um ciclo econômico gerado por queda artificial da taxa de juros. Essa demanda por bens de consumo ainda não produzidos, gerou por parte dos produtores desses bens uma demanda por empréstimos a fim de financiar o aumento da produção. Essa corrida por créditos acabou por gerar um cabo de guerra por empréstimos, que por sua vez, tendeu a aumentar a taxa de juros. Foi daí o estouro na bolsa de valores. Foi exatamente isso que ocorreu na grande crise de 1929 e que demagogicamente é ensinado como se fosse uma crise causada pelas "forças adversas do mercado".

Com o aumento dos juros a etapa recessiva é inevitável. O aumento dos juros invibiabiliza os investimentos que foram artificialmente estimulados pela expansão artificial do crédito. Simplesmente através deles é avisado aos investidores que seus investimetnos passados foram mal previstos e portanto, insustentáveis. Começa a quebradeira, e o desemprego é associado a inflação decorrente das políticas estatais expancionistas.

Certamente se deixasse ao mercado, como nos aureos tempos do século XIX, a crise de 1929 não teria ocorrido, ao menos nas proporções que aconteceu. Esse é um dos capítulos da história econômica muito explorado pelas elites demagogas que cultivam o anti-liberalismo a qualquer custo, nem que para isso seja necessário o maior engodo e a maior mentira para sustentar suas idéias. A ciência econômica precisa de gente séria. A crise de moral que se estabeleceu em nossa sociedade é de difícil superação, quadros da elite formadora de opinião estão intoxicados de marxismo enrustido e de um keynesianismo intervencionista, além de um tremendo e insensato repúdio ao liberalismo econômico, a verdadeira fonte da prosperidade.

2 de nov. de 2003

Autor de frases como "A verdade em economia está nos manuais do liberalismo. Desenvolvimento é sinônimo de Estado mínimo: é essa a suprema verdade", José Nivaldo Gomes Cordeiro,economista, cristão e mordaz crítico de Marx, é articulista para vários sites da internet e é especialmente conhecido pelos artigos que divulga via correio eletrônico, onde tece mordaz críticas sobre o debate econômico nacional e defende com unhas e dentes o liberalismo econômico. Mestre em Economia, com mestrado em Administração de Empresas na FGV-SP, Nivaldo Cordeiro além de profundo conhecedor do cristianismo e da filosofia ocidental, se posiciona como um autêntico liberal da tradição clássica. Segundo ele, "os economistas viraram sacerdotes e escribas do Estado moderno".

Tendo ministrado aulas em conceituadas escolas como a FGV-SP, a PUCSP e a FAAPP, argumenta que para alavancar o desenvolvimento do Brasil se faz necessário a urgência na redução da máquina pública aliada com a queda brusca na carga tributária. Sobre a ALCA, enfatiza: "Um acordo mediano é preferível a nenhum acordo". Segundo o economista, que teve ironicamente o intervencionista Bresser Pereira como orientador de suas teses na FGV (o doutorado fez apenas os créditos), o Brasil precisa de uma revolução liberal, afirmando incisivamente que é falso dizer que o Brasil aplicou o liberalismo na década de 90. Além disso, indo contra a corrente, Nivaldo Cordeiro não vê bons ventos para a economia Brasileira. Confira a entrevista.


Lucas Mendes - Parece haver um consenso entre os economistas e analistas de mercado sobre a perspectiva de um crescimento significativo da economia brasileira já a partir do ano que vem. Como o Sr. vê este otimismo?

JNGC - Vejo dois cenários alternativos. O mais realista é termos uma bolha de consumo puxada pelo afrouxamento da política monetária, que vai durar até abalar o saldo da balança comercial, quando o governo precisará aplicar novamente um novo choque de juros. Nesse cenário a inflação sobe até o momento em que o governo segure novamente o crédito. Essa bolha deve durar até o início do primeiro trimestre. A suposição é que não haverá movimento especulativo contra a moeda brasileira. O segundo cenário é mais pessimista. A bolha de consumo que está sendo criada pode soltar forças reprimidas e incentivar a fuga de capitais. A partir desse momento nem mesmo uma política de taxa de juros mais elevada poderá evitar uma situação confusa e insegura para os investidores internacionais. No primeiro cenário o PIB poderá crescer não muito além dos 2%. No segundo, só Deus sabe. Talvez repitamos a taxa do ano em curso, próxima de zero. Sou pessimista, portanto. O Brasil só poderá voltar a ter crescimento sustentado com uma profunda reformulação do Estado, inclusive com redução paulatina e significativa da carga tributária. Como as forças políticas que controlam o poder não querem essa solução, estamos condenados à recessão por um bom período de tempo.

Lucas Mendes - A imprensa tem regularmente feito associações entre a queda da taxa de juros básica, a Selic, e o crescimento econômico do Brasil. Em que medida a redução da taxa de juros Selic pode influenciar o crescimento econômico do País?

JNGC - Há dois impactos positivos. O primeiro é reduzir o dispêndio do Estado com a remuneração da dívida pública, abrindo espaço em outras rubricas para maiores gastos ou a obtenção de a um superávit primário maior, o que seria bom. O segundo é redução na ponta final do custo do financiamento. Este último é menos intenso porque a intermediação financeira no Brasil é de tal forma irracional, com o Estado absorvendo a maior parte da poupança finaceira, que os juros não podem cair significativamente. Crédito é sempre uma solução passageira, uma antecipação de gastos da renda futura para o consumidor. Gera uma bolha temporária de consumo que logo se esgota. É positivo, mas não resolve grande coisa.

Lucas Mendes - A seu ver, teria algum ponto crucial para a retomada do crescimento econômico e do desenvolvimento sustentável que o governo Lula não está dando a devida atenção?

JNGC - Sim. O nó górdio é o excesso de gastos públicos, que determina a elevada carga tributária e a ampliação da dívida pública, fazendo com que a poupança financeira seja absovida pelo Estado. Em suma, (o excesso de gastos públicos) impede a formação de poupança, seja por parte dos agentes privados, seja do próprio setor público, que realiza gastos de qualidade duvidosa, basicamente em consumo corrente, nada sobrando para investimentos. Enquanto essa situação não for resolvida - a do volume de poupança macroeconômica - não há como haver retomada dos investimentos nos níveis requeridos para sustentar o desenvolvimento. É uma conclusão lógica que se impõe. Em paralelo, o Brasil padece de séria restrição externa, que impõe a necessidade de geração de elevados superávits na balança comercial. Uma retomada sem reforço nos investimentos só pode ser feita mediante sacrifício desse saldo, que o fatalmente levará a uma crise cambial, de difícil superação.

Lucas Mendes - Então o grande problema que afeta o Brasil é exatamente o peso do Estado sobre a atividade econômica. Por isso o Sr. sugere medidas baseadas no ideário liberal para solucionar o problema econômico do Brasil. Mas a maioria dirá que o Brasil na década de 90 aplicou o neoliberalismo e que ele teria sido catastrófico. O que o Sr. teria a dizer sobre essa acusação comum no debate econômico nacional?

JNGC - Definitivamente é falso dizer que o Brasil aplicou o liberalismo nos últimos anos. O que foi aplicado foi a coerência na administração econômica, respeitando-se alguma das suas leis fundamentais, uma delas a boa administração dos orçamentos públicos, no sentido de buscar o equilíbrio. Isso não se confunde com liberalismo. Embora respeite essas leis econômicas, o ideário liberal prega o Estado mínimo, com o mínimo de tributação, o mínimo de ingerência na vida econômica. O que vimos? Exatamente o oposto disso, com a supertributação, com o excesso de regulação, com o uso de instrumentos para se manter o Estado máximo. Na verdade, o que se chama de liberalismo é o respeito às leis naturais da vida em sociedade, pelo qual se consegue o máximo de liberdade e de prosperidade econômica. Essa forma de organizar a sociedade está de acordo com a tradição cristã, de respeitos aos valores individuais com responsabilidade, com liberdade, sendo o indivíduo a instância suprema de consciência. É absolutamente essencial separar o poder político do poder econômico, sob pena de se criar as condições para a implanação de tiranias abertas ou disfarçadas, como a que vemos no Brasil de hoje, onde todo mundo ficou escravo do Estado via sistema tributário. Precisamos fazer a revolução que jamais foi feita no Brasil: a revolução liberal.

Lucas Mendes - Porque os economistas brasileiros não se detem a questão da redução do Estado, dos elevados e ineficientes gastos públicos e da atrofiante burocracia? Até mesmo o debate acadêmico aborda essa perspectiva de forma muito tímida, ao mesmo tempo em que a questão do controle estatal da economia está cada vez mais presente e até a idéia do planejamento ganhou fôlego de uns tempos para cá. A boa teoria econômica não vislumbra que seria ainda mais grave para a economia a implementação ou o aprofundamento dessas medidas?

JNGC- O planejamento econômico é a ferramenta principal do intervencionismo econômico. É sabido que o Estado não pode prever é incapaz de prever a vontade, os desejos e as necessidades dos cidadãos e estou convencido que políticos propõem isso por isso dá poder. O plenjamento, especialmente quando fundamento em uma ordem tributária tirânica, une poder político com o poder econômico. Veja o programa Fome Zero. A economia brasileira está impossibilitada de gerar empregos porque o Estado tributa demais, mas ao invés de reduzirem os impostos, os políticos no poder vêem com essas idéias mirabolantes, que sempre redundam em mais impostos e em mais intervenção do Estado. Nunca resolverá o problema da fome, mas com certeza dará mais poder ao estamento burocrático-político e mais votos de cabresto nas próximas eleições. É uma lógica infernal em que o econômico se transforma em um instrumento de cominação por parte de espertalhões que querem ganhar as eleições. O que é boa teoria econômica? para um keynesiano e uma marxista, é o planejamento e o intervencionimos, para o liberal o contrário.


Lucas Mendes - Marcello Tostes, economista e colunista do jornal eletrônico O Indivíduo (www.oindividuo.com) escreveu um artigo com um título um tanto hilário, senão, provocador: Os economistas e o poder do Estado: um verdadeiro caso de amor. Esse fenômeno já não teria causado estragos na economia brasileira suficientes para que esse caso rompesse?

JNGC - O Marcello escreve textos saborosos e tem uma perspectiva aguda da nossa sociedade. Ele está certo. Economistas, especialmente os de esquerda, viraram sacerdotes e escribas do Estado moderno. São os acólitos do poder absolutista renascido. Estraga-se não apenas a economia, mas a liberdade, a alma dos indivíduos, sacrifica-se a verdade aos interesses mesquinhos.

Lucas Mendes - Então seria daí que deriva a pouca adesão ao liberalismo pelos cientistas sociais?

Os cientistas sociais já são uma outra questão. Esse curso no Brasil, que forma os profissionais da área, com as exceções de regra, viraram treinadores de quadros revolucionários marxistas. Já as ciências sociais, no seu sentido amplo, incluindo os economistas, estão hoje contaminadas pelo viés esquerdista e estatista. Marx tomou conta do coração e das mentes dessas pessoas. Querem cada vez mais o Estado intervindo na vida das pessoas e estão conseguindo transformar no contidiano de todos em um inferno. É só ver a tragédia do desemprego para se ter noção do crime de lesa-humanidade que estão comentendo, um verdadeiro crime.

Lucas Mendes - Mas Marx repudiava o Estado "agente de opressão da burguesia".

JNGC - Marx era um sujeito que odiava a civilização ocidental e queria destruí-la. Era um ressentido e um rancoroso e tudo que queria era moldar o mundo à sua imagem e semelhança, isto é, aos seus ódios e suas distorções. Paul Johnson, no livro Os Intelectuais, insinua que a obra de Marx é uma mixórdia desconexa, feita com grandieloquência que engana os incautos. Fundou-se em dados falsificados e não tem uma lógica. Ele queria mesmo é transformar o mundo e tudo que escreveu não passa de panfleto primário em busca desse objetivo. Na sua obra ele tanto ataca o Estado como o quer usar para fazer a revolução. Como ele nunca compreendeu a realidade, ele achava que o Estado era controlado pela burguesia, embora intuisse que esse poder fosse compartilhado com os remanescentes da aristocracia. Na verdade, o socialimo é uma degeneração das idéias liberais que combatia o Estado absolutista. Marx não compreendeu isso jamais. Era um amoral, um homem mentalmente e moralmente doente.

Lucas Mendes - O Sr. não acha que a aversão ao liberalismo e as idéias capitalistas são formadas nas faculdades?

JNGC - Sim, mas não apenas. Nas igrejas, nas escolas de nível fundamental, nos meios de comunicação. Estamos vivendo a plenitude da revolução gramsciana, pela qual se faz a revolução por dentro, em doses homeopática, acabando com a liberdade interior das pessoas, com a própria capacidade de pensar. Alguém sensato jamais votaria em um Lula, por exemplo. Há um adestramento coletivo em rumo do coletivismo e para isso é preciso sacrificar a verdade, isto é, o liberalismo, no âmbito econômico, e a religião, no âmbito da tradição. No caso, o cristianismo, religião professada pela maioria, mas não apenas.

Lucas Mendes- O Brasil preside junto com os EUA as negociações em torno da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) que deverá entrar em vigor em 2005. Qual a importância da ALCA para o Brasil?

JNGC - Toda importância. O Brasil precisa se integrar à economia internacional e o principal parceiro são os EUA. É um erro crasso não fazer o acordo. A nosso diplomacia hoje é uma caricatura de grêmio acadêmico colegial, que elegeu os EUA nossos inimigos. Não são. São parceiros, os principais.

Lucas Mendes - Quer dizer que a ALCA seria boa para o Brasil independente dos termos de negociação?

JNGC - O Brasil não poder perder o bonde andando. Negociar significa defender pontos e aceitar pontos de vistas dos outros. Não se pode ir para a mesa de negociação com questão fechada como se fosse princípios. Um acordo mediano é preferível a nenhum acordo. E o Brasil não pode querer tomar a liderança do processo. Os EUA são os líderes naturais, o que não significa que o Brasil não tenha peso. O que não pode é a nossa diplomacia se comportar toda cheia de não me toque, qual mulher jovem não iniciada.

Lucas Mendes - Como o Sr. avalia o atual processo de negociação da ALCA pela diplomacia brasileira?

JNGC - Um desastre. Se não houver correção de rumos, ficaremos de fora e viraremos párias no comércio internacional.

Lucas Mendes - Que autores o Sr. acharia essenciais ao público brasileiro, em especial aos estudantes de economia que estão imbecializados com o consumo excessivo de literatura intervencionista e anti-liberal?

JNGC - Hayek, Mises, Friedman, Aron, Paul Jonhnson, Meira Penna, Olavo de Carvalho, Roberto Campos. Aí tem leitura para um lustro inteiro.

Visite o sítio na internet de Nivaldo Cordeiro: http://geocities.yahoo.com.br/nivaldocordeiro/

26 de out. de 2003

A INVIABILIDADE ECONÔMICA DO SOCIALISMO

O fracasso do socialismo como princípio de ordenamento social é hoje evidente para qualquer pessoa sensata e informada – o que exclui, é claro, os socialistas.
Alceu Garcia

O estudo da ciência econômica ou da economia política como também é chamada, teve como grande marco ideológico o livro "O Capital" de Karl Marx (1818-1883). Falo em "marco ideológico" porque seu escrito não pode ser considerado um marco teórico como outros livros de outros pensadores da economia. Marx não foi um teórico, o que ele fez foi ideologia. Como as ciências estão sempre sujeitas a influência de ideólogos veremos rapidamente a importância de Marx para o estudo da economia.

Sabemos que Marx foi um grande crítico do sistema capitalista que nascia na Europa, em especial na Inglaterra de seu tempo. Em seu livro "O Capital", que muitos economistas e cientistas sociais brasileiros consideram uma bíblia, Marx procurou apresentar uma crítica ao funcionamento e as leis que regem o sistema de produção capitalista. A grande adesão de intelectuais das mais variadas espécies ao livro e as idéias de Marx não siginifica apenas sucesso, mas também subentende-se (equivocadamente) que a idéia exposta na obra é por si uma virtude. É bom ressaltar que esse fenômeno literário-ideológico foi demostrada pelo filósofo Éric Voegelin como uma adesão idêntica a de um indivíduo quando adere a uma religião. O marxismo, prova Voegelin, é uma seita de fé.

Muitos dos que acreditam na suposta superioridade da investigação de Marx são aqueles que nunca leram Ludwig von Mises, o grande gênio da Escola Austríaca de Economia que além de apresentar uma nova forma de entendimento do sistema capitalista em seu monumental livro AÇÃO HUMANA, muito diferente e superior a de Marx, derrubou a teoria socialista idealizada por Marx, que somente muitos foram se convencer com a chegada do anus mirabillis de 1989 com a pirotéctica implosão do bloco socialista da URSS. Entrentanto, muitos seguem cegos em sua crença da viabilidade de uma economia socialista, principalmente aqui por essas plagas. Este artigo, sem a pretençao de apresentar qualquer novidade, apresentará o argumento e a expressão empírica de que um regime socialista não tem outro destino senão a escassez coletiva dos recursos econômicos e a miséria social.

Todo sistema econômico deve levar em consideração dois pontos fundamentais: a escassez dos recursos e a incerteza quando ao futuro. Outra característica imanente de qualquer sistema econômico (inclusive do socialismo), é que os indivíduos agem sempre com o intuíto de sair de um estado de menor satisfação procurando um estado que mais lhe satisfaça. Essa é a ação natural do ser humano. Sempre procuramos maximizar a nossa satisfação, seja agindo em busca de algo, seja simplesmente se omitindo de alguma coisa. Esse é o postulado da praxeologia, ou em outras palavras, do estudo da Ação Humana.

Numa economia de mercado onde não existe um ente coercitivo que iniba ou impessa a produção de riquezas, essa vai estar sempre em constante geração. Daí o constante emprego de capital e trabalho. Ao mesmo tempo, haverá um determinante que demande produtos: os consumidores. Esses ditarão as regras do que e quanto produzir na economia.

A necessidade de adquirir determinados produtos e serviços pelos consumidores, farão com que capitais (ou seja, recursos escassos) sejam investidos ou se desloquem de alguns ramos de produção para outros, haja vista a pespectiva de lucros que nele se visualiza. Os empreendedores mais espertos perceberão logo essa demanda potencial e procurarão atender essa gama de consumidores dispostos a pagar um preço pelo produto que desejam. Aí está a questão crucial que o socialismo ignora: os preços.

Num regime socialista é o Estado que determinará o quee quanto produzir. As vontades e desejos das pessoas são suprimidas pela vontade e desejo dos burocratas e planejadores do Estado. Isso se chama planificação da economia, ou seja, o Estado detém todo o poder sobre a atividade econômica e passa a planejá-la em todas as suas instâncias. O planejadores do governo então passarão a saber o que e quanto produzir neste regime. Ocorre que, como muito bem demostrou Mises, neste regime é simplesmente suplantada a propriedade privada dos meios de produção. Sem ela, não há mercado e sem mercado não há preços, e por isso a infomação que exerce o mecanismo de preços será totalmente comprometida impossibilitando, por fim, o cálculo de lucros e prejuízos. E é exatamente o sistema de lucros e prejuízos que permite aos empresários saberem onde existe um foco de mercado pouco explorado ou ainda à explorar.

Quando um empresário detecta que um ramo do mercado (por exemplo, de bebidas energéticas) pode ser promissor, ele está enxergando que existem pessoas dispostas a pagar um determinado preço pelo produto. Com base nesta informação ele investe capital nesta indústria afim de satisfazer o desejo dos consumidores de bebidas energéticas. Contudo, isso não é garantia de que o empreendimento será lucrativo. Pois se o empresário for ineficiente não coseguindo ofertar bebidas energéticas ao preço que os consumidores estão dispostos a pagar, invarialvelmente ele incorrerá em prejuízos. Todavia tenha alocado mal os recursos, os prejuízos são particulares. Numa economia planificada, onde tudo é estatal e do governo, se algum planejador alocar mal os recursos, os prejuízos são socializados recaindo sobre toda a populaçao. Ocorre que num regime socialista os planejadores não terão a informação necessária para saber o que e quanto produzir pelo fato de que a extinção da propriedade privada dos meios de produção inviabiliza a informação essencial para a correta alocação dos recursos. Sem a propriedade privada os preços passam a ser arbitrados pelos planejadores e não pela ação livre e espontânea dos indivíduos no mercado. Ora, é impossível que os planejadores saibam o que os milhares de consumidores desejam e preferem em cada momento do tempo. O destino inevitável será a má alocação dos recursos até o ponto em que a escassez tenha tomado conta da economia e o desemprego e a pobreza se generalizem em seu meio.

A abolição da propriedade privada que deriva o mercado e o mecanismo de preços, portanto, é o que fatalmente leva a ecatombe econômica e por derradeiro ao caos social um sistema econômico. A experiência histórica foi a confirmação daquilo que Mises previa em seu Socialism escrito ainda na década de 20 do século passado, mas que foi fatalmente ignorado pelo meio acadêmico no longo do século XX e, de modo geral, ainda persiste sendo ignorado neste século que inicia-se. Deslumbrados com a idéia de uma sociedade socialista derivada da ideologia de Karl Marx, intelectuais e políticos fizeram no século XX a experiência política-econômica mais dramática que a história da civilização já registrou. Um saldo de mais de 100 milhões de mortos e a mais prolongada e aguda estagnação econômica que parte da civilização sofreu.


******************

A maior parte da bibliografia acadêmica tradicional omite a inviabilidade econômica de um sistema de reprodução socialista. O trabalho de refutar e demonstrar o seu fracasso foi magistralmente feita pelos economistas da Escola Austríaca de Economia. Eugen von Böhm-Bawerk, aluno de Karl Menger, refutou a teoria da mais-valia e da exploração de Marx. A demolição da base que sustenta o edifício teórico do Capital está em "Teoria Positiva do Capital", publicado logo após Engels ter publicado o úlitmo livro do Capital e até hoje, quando menciono Böhm-Bawerk, causa espanto em muitos catedrádicos. Ludwig von Mises, considerado o grande gênio da EA, já na década de 20 do século XX escreveu Socialim onde ele demonstra cabalmente a inviabilidade teórica do socialismo. Já em seu tratado de economia AÇÃO HUMANA(1949), que além de guardar um capítulo inteiro para demostrar porque o socialismo não funciona, Mises escreveu um dos mais belos livros de ciência econômica, que infelizmente é omitido nos cursos de economia do Brasil, ao mesmo tempo em que muitos cursos de economia dirigem dois semestres somente para o estudo de O Capital. Por isso que se faz necessário divulgar as idéias corretas até então construídas pela ciência econômica, por que as universidades, em especial as brasileiras, estão gravemente comprometidas com as idéias intervencionistas, quando não, socialistas propriamente dita.

Indicações bibliográficas:

Mises, Ludwig von. Ação Humana - Um tradado de Economia. Ed. Instituto Liberal.
Hayek, Friederich A. O Caminho da Servidão. Ed. do Exército.
Iorio, Ubiratan J. Economia e Liberdade - A Escola Austríaca e a Economia Brasileira. Ed. Forense Universitária.

Agradecimento especial ao Marcello Tostes por ter lido em primeira mão e dado valiosas dicas para a elaboração final do artigo. Contudo, todo e qualquer erro é de minha inteira resposabilidade.

A Política Econômica do PT: uma crítica


É comum nos debates acadêmicos a discussão em torno de um sistema econômico alternativo àquele que surgiu com a revolução industrial no século XVIII. Não falta intelectuais, professores da área da sociologia, economia, filosofia, literatura etc. para lançar críticas ao capitalismo, acusando-o de ser o principal causador dos males porque passa o mundo em geral e o Brasil em especial, país com um imenso déficit social e que ainda luta para sair do subdesenvolvimento. A maioria das pessoas não hesitam em alegar que a causa de nosso atraso é o capitalismo imperialista dos EUA, o FMI, o Consenso de Washington e outros bodes-espiatórios do gênero.

Ocorre que esses lugares-comuns utilizados para tentar explicar o nosso atraso não resistem a uma honesta análise, pois o nosso problema é exatamente a falta de capitalismo e liberdade econômica. A existência de um Estado opressor é o que explica o nosso secular terceiro-mundismo. Num artigo de Agosto de 2002 publicado no Minuano, falei porque os Piores Chegam ao Poder. Neste, mostrarei porque o PT é a expressão disso.

Desde o descobrimento e principalmente após a independência do Brasil, antes de tudo se importou um Estado para que a sociedade o servisse, enquanto nos EUA, por exemplo, primeiro se consolidou uma sociedade para daí criar um Estado para servi-la. Num primeiro momento este ponto pode parecer supérfluo, entretanto, se analisarmos os dias bicudos em que vivemos observa-se claramente que entre esses dois entes (Sociedade e Estado) está o norte que devemos observar para descobrirmos a essência de nosso atraso econômico.

O Estado brasileiro sufoca a atividade econômica com uma carga tributária ao redor de 40% da riqueza produzida neste país. Em outras palavras, para cada R$ 100 produzidos, R$ 40,00 o Estado suga para si. Um verdadeiro escandalo, se por outro lado, observar-mos que o governo não devolve à sociedade nem os mínimos serviços que deveria oferecer em quantidade e qualidade como: educação, saúde e transportes. Mais do que isso, é que as despesas do Estado com o funcionalismo público, é maior que os gastos desses três serviços (saúde, educação e transportes) somados! O que temos é um Estado enorme (um dinossauro, na expressão do embaixador Meira Penna) que em vez de ajudar e colaborar com o processo de desenvolvimento do País, ele potencializa o nosso atraso e a capacidade de geração de riqueza através da pesada carga tributária, jurássica regulamentação das leis trabalhistas que remonta os anos da era Vargas, entre outros compulsórios, como taxas e administração (imposição) de preços, a exemplo do gáz, combustíveis, energia, telefonia, entre outros.

Por isso, convém lembrar que a saída para o nosso secular subdesenvolvimento passa necessariamente pela capacidade de gerar poupança, esta a financiodora genuína da produção. E é da produção que advem os empregos e o conseqüênte desenvolvimento econômico pregado por todos os políticos. O problema é que a classe política está preocupada com as finanças do Estado e é por isso que a tributação sobre quem trabalha e produz está cada vez mais asfixiante. A “reforma” tributária preconizada pelo governo Lula e que estará em vigor apartir do ano que vem, consolidou-se neste sentido: arranjar uma maneira do Estado não perder arrecadação e ainda permitir que ela possa aumentar. Ao invés de procurar reduzir o peso do Estado sobre a população, o governo tenderá a se acomodar ainda mais sobre ela ainda com mais encargos. Um horror.

Infelizmente este é o destino traçado pelo governo do PT, e é bom lembrar, não seria diferente com qualquer outro dos quatro canditados que se elegesse. O problema é que com o PT, essa tendência tende a ser cada vez mais funesta em virtude da histórica estratégia do PT que anseia para o País um regime socialista. Decorre que o socialismo, em última instância, culmina na redução das desiguldades sociais através da socialização da miséria e da probreza.

19 de out. de 2003

UM ARTIGO SOBRE O MERCADO

O MERCADO


Rubem de Freitas Novaes *


Em reunião recente com empresários, o candidato Ciro Gomes declarou estar se “lixando” para o Mercado, para delírio de seus novos seguidores de esquerda. Lula, e o seu PT, bem como Serra e Garotinho, também não morrem de amores por este ente abstrato. A “marcação a mercado”, regra de valoração de ativos, passou a ser sinônimo de prejuízo nos fundos de investimento. Ancelmo Góis, conhecido colunista, define mercado como “um ser nervoso, meio canalha, que frita países no óleo como se fossem pastéis”. Pois bem, mercado agora é expressão maldita (quase tanto como FMI), catalisadora de ódios e frustrações.

A que exatamente estava se referindo o candidato Ciro e o que passa pela cabeça da maioria das pessoas quando a imprensa fala, cotidianamente, do “Mercado” e de suas reações aos diversos fatos políticos e econômicos? (Consta que, somente neste ano, a palavra foi publicada, em O Globo e na Folha de S. Paulo, mais de 15 mil vezes).

Parece-me que o que fica no imaginário das pessoas é a cena de um conjunto de economistas engravatados, pertencentes a instituições financeiras (muitas delas estrangeiras), recém formados em boas universidades americanas, todos repetindo na mídia, em atitude de auto-defesa, os mesmos argumentos e previsões. Somam-se a esta cena a dos operadores frenéticos, berrando ordens de compra e venda nas Bolsas e a dos “traders”, nervosos em suas mesas, agarrados simultaneamente a dois telefones e atentos à tela do computador, recheada de cotações e notícias de todo o mundo.

Amigos, Mercado não é nada disto! Mercado é Gerdau e Antônio Ermírio. É o quitandeiro da esquina e o dono da vendinha na favela. É o pequeno produtor rural e o barqueiro que vende mercadorias no mais longínquo rio no interior da Amazônia. É a empregada doméstica e o mecânico de automóveis. Mercado somos todos nós quando tomamos nossas decisões de onde trabalhar, o que produzir e o que comprar e vender. O mercado financeiro também é Mercado, mas apenas uma parte dele. E não se esqueçam que por trás daqueles rapazes agitados, dando ordens nas Bolsas, existe a figura e a vontade dos clientes, que tomam decisões pensadas, muitas vezes fruto de discussões em órgãos colegiados, formados por profissionais experientes e ponderados.

Nesta hora de tanta confusão convém recordar Milton Friedman, que costumava ministrar o curso Price Theory I, para os alunos pós-graduados da Universidade de Chicago. Suas aulas, pelo interesse que geravam, inclusive para estudantes de outras disciplinas, tinham que ser oferecidas em um auditório. Mesmo os que dele discordavam tinham por ele o respeito reverencial comum a quem está diante de um grande pensador. Curiosamente, ele entrava, para a sua primeira aula, exibindo um simples lápis nas mãos.



- Sabem de onde vem a madeira deste lápis? , perguntava.

- Das florestas canadenses, respondia.

- E a grafite?

- De minas africanas.

- E a borracha?

- Da Malásia.

- E o aço que envolve a borracha?

- Do Brasil.

Pois bem, dizia ele, estes produtos, vindos de diferentes e distantes partes do mundo, sofreram beneficiamentos, foram transportados e se juntaram em algum lugar, onde alguma empresa, com algum trabalho, os transformou num lápis. Qualquer de nós, em qualquer lugar do mundo, pode ir ao comércio da esquina e adquirir, por uns míseros centavos, um lápis como este. Vocês já pararam para refletir sobre isto? Concluía.

Não precisava dizer mais nada! Imaginem tentar substituir este processo descrito, que é o mais simples possível numa economia capitalista, por decisões centralizadas. Principalmente em países, como o nosso, reconhecidamente ineficientes em seus serviços públicos.

No nosso dia a dia nos deparamos com milhares de situações e opções sobre as quais não refletimos convenientemente. Damos tudo por certo, garantido, esquecendo os méritos de quem ou do que nos propiciou estas inúmeras possibilidades de escolha. É óbvio que o sistema de produção e comércio, fundado em decisões voluntárias (sistema de mercado), tem falhas e requer correções, aqui e ali (não esquecendo que o governo também é imperfeito em suas intervenções). Mas, se pararmos para pensar na sua complexidade e, ao mesmo tempo, na simplicidade de suas soluções, nunca mais daremos ao termo mercado uma conotação pejorativa.

Retornando ao mercado financeiro, que parece ser o foco principal dos candidatos, é preciso saber melhor, daqui por diante, o significado exato de “acabar com a ciranda financeira”, “eliminar a agiotagem” ou expressões similares, tão usadas em campanha. Será acabar com o financiamento da dívida pública por meios voluntários? Será terminar com o mecanismo livre pelo qual se recolhe a poupança de uns para emprestar a outros, que está na essência do sistema bancário? Ou será, como propôs o professor Reinaldo Gonçalves, da UFRJ e antigo militante do PT, intervir nos Bancos, no dia seguinte à posse, com verdadeira tropa de choque (Polícia Federal, Receita, Bacen etc.), “para impedir que a liberalização financeira continue a promover o tráfico de drogas e armas além de instabilidade e crise”?

O professor José Scheinkman, da Universidade de Princeton, acaba de aceitar a responsabilidade de assessorar o candidato Ciro Gomes na feitura de seu programa governamental. Espero que Scheinkman, com quem convivi no ambiente acadêmico de Chicago e que tantas estórias ouviu, como essa do lápis de Friedman, possa , agora que está envolvido na campanha presidencial, lançar suas luzes sobre o assunto e difundir tranqüilidade.

* O autor é Economista (UFRJ) com Doutorado na Universidade de Chicago.

18 de out. de 2003

Como não tenho escrito muito nos últimos tempos, informo que os links indicados acima não são para bonito. É para os prezados leitores acessarem.

Boa leitura!

20 de set. de 2003

ENTREVISTA COM UBIRATAN IORIO

Pergunte para o primeiro estudante de Economia que você conhece, se na faculdade ele teve oportunidade de ler algo sobre a Escola Austríaca de Economia, a mais importante escola econômica liberal. Se ele disser que ouviu um professor comentar em uma determinada aula, mas que não saberia dizer nada mais objetivo, não se espante. Quando muito é assim mesmo. Muito menos ouvirá de seu amigo que ele tenha lido, para a aprovação em uma determinada matéria, qualquer coisa de Ludwig von Mises. Certamente deste, nem o nome tenha ouvido falar. É triste, porque Ludwig von Mises é o grande gênio da Escola Austríaca e um dos maoires economistas que o mundo já pode ver.

Abaixo reproduzo entrevista concedida via correio eletrônico pelo Ubiratan Iorio para este blog. Iorio é autor do livro “ECONOMIA E LIBERDADE – A Escola Austríaca e a Economia Brasileira” editado pela Forense Universitária. Nesta obra o autor apresenta com grande competência ao público brasileiro todo o universo da Escola Austríaca de Economia. Infelizmente ainda pouco conhecido pelo meio acadêmico nacional, não obstante, sem embargo, se trata de um dos melhores livros de economia escrito neste país.


Lucas - Como o senhor procurou trabalhar a sistematização do conteúdo da Escola Austríaca de Economia no livro “Economia e Liberdade”?
Iorio - Simplesmente verifiquei que não existia NADA em português que apresentasse a EA de forma sistemática, com princípio, meio e fim. Por isso, embora meu livro não contenha praticamente nada de novo, ele começa com os fundamentos filosóficos da EA, passa em seguida pela sua teoria econômica e encerra com tentativas de aplicações à realidade brasileira.

Lucas - Porque a importância em apresentar a contribuição da Escola Austríaca ao público brasileiro?
Iorio - O Brasil é um país muito pobre em termos científicos. Nos cursos de economia, ensina-se quase que exclusivamente – com algumas honrosas exceções – Keynes, Kalecki e Marx. O ambiente acadêmico é contaminado por essas idéias e o livro surgiu para tentar, embora modestamente, fazer frente a isso. Algo como uma luz bem pequena no meio da noite.

Lucas - A Escola Austríaca de Economia é praticamente desconhecida no meio acadêmico brasileiro, fato que predomina a influência de correntes teórica ligadas ao marxismo e ao keynesianismo. Frente essa realidade, qual é o papel, sobretudo para os estudantes brasileiros, da contribuição “austríaca” para a ciência econômica?
Iorio - No meu modo de ver as coisas, os estudantes devem ser apresentados a TODAS as teorias e escolas de pensamento, para que, mais tarde, já mais maduros, possam seguir o seu caminho. Por isso, penso ser um crime um estudante não ser apresentado, por exemplo, às idéias de Marx (por piores que possam ser), mas é também criminosa a atitude de lhe negar ter acesso aos ensinamentos dos grandes economistas austríacos que, quando muito, são resumidos em uma ou duas aulas nos cursos de pensamento econômico, na rubrica “os marginalistas”. Isto é um absurdo, apresentam a EA como se fosse coisa do passado. Mas ela pode contribuir tanto ou mais para a compreensão do mundo do que as teorias ditas “modernas”.

Lucas - Quando o senhor teve contato com a escola austríaca certamente o senhor detectou um importante diferencial teórico que o convenceu da superioridade desta escola perante as demais. Qual seria este referencial e por que a importância deste para o estudo da econômica?
Iorio - Há alguns diferenciais importantes. O primeiro é que a EA é apriorística; o segundo, que é subjetivista; o terceiro, que rejeita a utilização da matemática em uma ciência social como a economia e o quarto é que estuda a economia dentro da praxeologia, isto é, integrando-a com outros campos do conhecimento. Como observou Hayek, “o economista que só sabe economia não pode ser um bom economista”.

Lucas - Qual o ponto basilar que diferencia a teoria “austríaca” de economia de correntes como a marxista e keynesiana?
Iorio - A meu ver, é o fato de que a EA considera a economia como AÇÃO HUMANA AO LONGO DO TEMPO SOB CONDIÇÕES DE INCERTEZA GENUÍNA.

Lucas - Diante da importante contribuição desta escola para a ciência econômica e visto que em nosso país a comunidade dita científica praticamente desconhece os trabalhos como, por exemplo, de Ludwig von Mises, Murray N. Rothbard e até mesmo Friederich A. von Hayek, quais são as dificuldades preeminentes em introduzir na estrutura curricular dos cursos de Economia do Brasil o pensamento “austríaco”?
Iorio - As dificuldades são muito grandes, proporcionais à resistência. Mas a saída que encontrei foi tratar de assuntos da “mainstream” usando, complementarmente, a metodologia austríaca ou, como ocorre na UERJ, ministrá-la em cursos eletivos, sempre com uma grande procura por parte dos alunos, porque a EA é simples, fácil de entender e de aplicar ao mundo real. Como disse Mises, “good economics is basic economics”.

Lucas - Como o Sr. percebeu (e está percebendo) a recepção do livro “Economia e Liberdade – A Escola Austríaca e a Economia Brasileira” pela comunidade acadêmica?
Iorio - Minha grande alegria foi a de verificar que o livro foi muito aceito entre alunos de economia e profissionais de outras áreas. Entre professores – a não ser entre os poucos liberais que existem no Brasil – a aceitação, como eu já esperava, foi fraca: uns rejeitam a EA porque não usa matemática e outros simplesmente porque é diretamente relacionada ao que chamam de “neoliberalismo”...

Lucas - Qual sua sugestão para os estudantes de Economia neste início de século XXI que estão sufocados com um viés teórico e sobretudo ideológico, anti-liberal e estatista? Para que pontos o senhor chamaria a atenção na formação dos estudantes de economia?
Iorio - Os estudantes devem ler de tudo um pouco, para depois seguirem o seu próprio caminho, o que demanda tempo. É verdade que nos cursos de economia eles são treinados para serem intervencionistas, mas basta que um dia leiam um livro de Mises ou de Hayek para percebereM que o mundo real é bem diferente daquilo que tentam lhes enfiar, por questões de pura ideologia, na cabeça.

Lucas - Por fim, poderia falar sobre a grande lição que o economista francês Fréderic Bastiat (1800-1851) deixou a comunidade de economistas (lição que a escola austríaca de economia absorveu perfeitamente) e em particular, porque essa lição é importante para os economistas brasileiros? (sobre os efeitos que se ve...)
Iorio - Trata-se das diferenças entre os efeitos de curto prazo (que se vêem) e os de longo prazo (que muitas vezes não podem ser vistos imediatamente, mas que podem ser previstos pelos bons economistas). Creio que o precursor, dentro da “mainstream”, dessa importante diferença entre os efeitos de curto e de longo prazo foi Richard Cantillon e, nos dias atuais, Milton Friedman. A EA, desde Menger, percebeu isso, assim como percebeu, antes de qualquer outra, a importância de se estudar expectativas em economia.

Ubiratan Jorge Iorio é Doutor em Economia e atualmente é Diretor da Faculdade de Economia da UERJ.
Para saber mais
www.ubirataniorio.org

16 de set. de 2003

Ressuscitei!!

É assustador como os professores universitários abordam a grande crise de 29. São enfáticos em afirmar que foi "a crise do capitalismo".
Não sabem o papel que desempenhou o Estado nos EUA, mais especificamente, o FED, que no decorrer da década de 20 emitiu gradativamente cada vez maiores quantidade de moeda na economia proporcionando o boom econômico que, como previsto por Mises, no médio, longo prazo, quando o Estado incha a economia de moeda papel, invariavelmente ela culminará em crise e recessão. É de chorar na sala de aula. O desconhecimento (e a omissão) dos fatos históricos-econômicos dos economistas é um horror!

A meu ver, até Milton Friedam erra em diagnosticar a causa da recessão. Em seu "Capitalismo e liberadade" diz ele que o erro foi o FED nos anos de 1930 em diante, reduzir a oferta monetária, esta a causadora da crise e da recessão. Para mim, não resta dúvidas da superioridade das razões apresentadas pelos economistas da Escola Austríaca. Foi o excesso de moeda artificial que o FED lançou da década de 20.

Ver Murray Rothbard em "America's Great Depression". Creio ser o melhor livro já escrito sobre o assunto.



15 de jun. de 2003

Liberdade para desenvolver

A boa teoria econômica ensina que a liberdade de comércio entre as nações é uma condição imprescindível para o desenvolvimento sustentável dos países. Liberdade econômica, por sua vez, significa baixa regulamentação sobre o comércio ou em seu extremo, a ausência total de toda e qualquer restrição sobre as trocas internacionais. Entretanto, no pragmatismo do mundo atual tal anseio seria uma utopia...

Quando o governo que detêm o aparato do Estado abstêm-se de taxar o comércio, logo, as trocas se dinamizam, pois a desoneração tributária sobre comércio permite uma maior flexibilidade dos agentes econômicos em comprar e vender. Decorre daí um estímulo aos agentes em aumentar as trocas, alavancando, por sua vez, o emprego de capital e trabalho, permitindo o caminho sustentável para a erradicação da miséria e da fome. Fora isso, é pura bravata.

No Brasil de nossos dias, a carga tributária alcançou os absurdos 36,5% do PIB em 2002 e neste primeiro semestre de 2003 alcançou a cifra de 41% (segundo fontes oficiais), ou seja, quase a metade da renda nacional! Eis o motivo dos acalorados debates em torno da reforma do Estado e sobretudo da reforma tributária nos corredores do congresso. Parece que houve uma percepção, ainda que superficial, de que o caminho do desenvolvimento e da digna condição de vida para todos, passa necessariamente pelo "enxugamento" do Estado via desoneração tributária e burocrática sobre quem trabalha e produz.

A verdadeira causa da estagnação da economia brasileira é a excessiva parte de recursos que o Estado retira da mão dos agentes econômicos em prol da perpetuação de legiões de parasitas que vivem as custas do tesouro público, que nada mais é, dinheiro dos contribuintes. Esse verdadeiro roubo tributário sobre a sociedade, inviabiliza a geração de poupança interna para o financiamento dos investimentos, esse fato faz com que necessitamos de poupança externa (+ endividamento) para financiar nossos gastos. É o nefasto círculo vicioso do endividamento público que no médio prazo resulta em mais impostos sobre a população, que ressalta-se, já está com sua capacidade de pagamento definitivamente estrapolada. Em tese, os recursos que o Estado retira da atividade econômica via impostos e taxas, deveria retornar à sociedade em oferta de serviços como segurança, transporte, saúde e educação oferecidos pelo Estado. O Estado brasileiro, que perspicazmente o filósofo Ricardo Véllez Rodrigues o denominou de “Estado Orçamentívoro” já rouba 41% da riqueza nacional e em contrapartida não retribui nem os serviços essenciais que ele deveria garantir a população. O “Dinossauro”, na expressão do saudoso Embaixador J. O. de Meira Penna, arrecada muito e por outro lado gasta extraordinariamente mal. Um desastre.

Diante deste contexto, as reformas do Estado tão em voga neste momento, se fazem urgentes por uma questão de viabilidade econômica nacional. Se estas reformas, por seu turno, não desonerarem a cadeia produtiva, os trabalhadores e os consumidores (os mais lesados neste processo são os de baixa renda, pois a totalidade de sua renda é destina ao consumo), o Brasil estará numa situação crucial onde o desemprego, a miséria e a fome se agravarão sob as custas dos parasitas que vivem de privilégios estatais. Esta reforma precisa se realizar do ponto de vista dos pagadores de impostos (o povo) e não do ponto de vista dos consumidores de impostos (os burocratas), pois se assim for, a fúria arrecadatória do Dinossauro será ainda mais cruel e a economia brasileira despencará no abismo da recessão, que aliás, já tem demonstrado indícios.

Por fim, cabe ao governo desonerar a produção e a sociedade como um todo, bem como, eliminar os entraves burocráticos que atrofiam o crescimento e o desenvolvimento deste país e, para tanto, o Estado precisa cortar seus gastos e organizar a desordem financeira no âmbito do setor público, único modo de efetivar de forma sustentada a redução dos impostos. Urge, portanto, a necessidade de implantar as teses preconisadas pelos pensadores liberais do século XVIII e XIX e aperfeiçoada no século XX pela Escola Austríaca de Economia. O problema é que essa Escola sequer é conhecida no meio acadêmico brasileiro onde impera a mania estatista de (sub)desenvolvimento. Enfim, mais do que em outros tempos, o Brasil carece de liberdade econômica para sair do marasmo que se encontra, caso contrário, perpetuar-se-á no terceiro-mundismo.

13.06.2003


25 de mai. de 2003

Economia de Mercado e a Intervenção Estatal

Vou descrever abaixo, resumidamente, o que entendo por Economia e por que acredito que a economia de livre mercado é a melhor forma de gerar a riqueza, assim como, distribuí-la. Também procurarei demonstrar que toda intervenção do Estado gera mais problemas para a economia do que as esperadas soluções.

Economia é ação humana ao longo do tempo, nos mercados, sob condições de incerteza. O mercado é um processo de permanente descoberta, o qual, ao amortecer as incertezas, tende sistematicamente a coordenar os planos fomulados pelos agentes econômicos. Como as diversas circunstâncias que cercam a ação humana estão ininterruptamente sofrendo mutações, segue-se que o estado de coordenação plena jamais é alcançado, embora os mercados tendam para ele. Em outras palavras, a economia é uma teoria da ação e não uma teoria do equilíbrio ou da inanição. O economista austríaco Ludwig von Mises iluminou o estudo da ciência econômica ao ter afirmado que "devemos reconhecer que sempre estudamos o movimento e nunca um estado de equilíbrio".

Essa referência essencial da economia ajuda-nos a entender que o chamado equilíbrio econômico é nada mais que uma abstração impossível de ocorrer na economia real. O estado de equilíbrio nada mais é que o reconhecimento de um estado de inanição da atividade humana. Isso é inconcebível até mesmo quando se trata de animais, quem dirá, com os homens. Isso também é simples de verificar pelo mero fato de que não existe estado final em economia como erroneamente marca o racícinio de muitos modelos e postulados econômicos.

Diante disso temos que o processo de mercado guiado pelos gostos e preferencias dos agentes econômicos é a melhor maneira de coordenar a atividade econômica, pois é a partir da ação dos agentes que se determina o que e quanto produzir com a menor taxa de desperdícios dos recursos e com reduzida incerteza. O como produzir, isto é, o que determinará a melhor forma de emprego dos recursos escassos, fica a serviço dos agentes privados no livre mercado (calcados na lógica do lucro) que naturalmente ofereçeram produtos e serviços com maior qualidade a um preço mais barato. Caso contrário, os ineficientes em alocar os recursos, que por sua vez incorre em produtos caros e de baixa qualidade serão eliminados deste processo, havendo naturalmente um redirecionamento dos recursos para um mercado ainda inexplorado ou pouco explorado.

Toda vez que o Estado rouba - ou transfere, como preferirem - recursos de um determinado setor da economia para beneficiar outrem ele está distorcendo o emprego de recursos na economia, penalizando, por sua vez, aquele segmento em que os consumidores voluntariamente julgaram (através do ato do consumo) ser prioritário e merecedor de suas riquezas. Uma vez que o Estado (ou governo) - que detém o monopólio de coerção - cheio de boas intenções aplique tal política, ele está intrinsecamente direcionando recursos para um setor ou empresa em que os consumidores por meio de sua livre espontânea vontade não iriam direcionar suas rendas. Um governo nunca saberá o que os milhares de agentes econômicos preferem consumir e produzir, pelo simples fato de que não detem uma bola de cristal que os possibilite saber o que cada agente prefere e gosta, fenômeno determinado pela subjetividade de cada pessoa. Aliás, alguns governos até tentaram e a evidência histórica do século XX é emblemática em demostrar a ruína que tal prepotência administrativa pode levar uma nação.

Um exemplo é bem esclarecedor sobre o que significa o intervenção pública na atividade econômica. Quando um governo, por exemplo, julga importante construir uma ponte, ele necessariamente precisará de recursos para tanto. Como ele não tem o poder de criar dinheiro do nada, ele precisa pedir emprestado para quem tem e para tanto, ele pode recorrer a duas alternativas: (a) via tributação sobre a atividade produtiva e (b) via endividamento público que implica, por seu turno, tributação futura.

Então, para construir a dita ponte o governo precisou tributar a produção da riqueza. Mas vamos adiante, supondo que ainda, isso não é relevante. Assim, quando o governo começou a construir a ponte todos enxergam os operários trabalhando, os arquitetos surpevisionando, as paredes sendo levantadas, enfim, todos enxergam o progresso. Isso é a visão daqueles que Fréderic Bastiat chamou de mau economista, pois só exerga os efeitos que se vê de uma intervenção estatal na atividade econômica. Contudo o bom economista, ensina Bastiat, deve além de perceber os efeitos que se vê, também prever os efeitos que não se vê. O que não se vê neste cenário é que a renda dos agentes econômicos que estava sendo direcionada para aqueles fins que de modo particular, individual e subjetivo julgavam melhores para si, agora está sendo empregado na construção de uma ponte que o governo julgou ser melhor "para todos". Ainda mais, o que não foi dito anteriormente, quando o governo taxa algum ramo da economia ou todos, ele está dificultado a geração de riqueza, quando não, impossibilitanto-a. Pois a acumulação é determinada pelos consumidores que julgam a quem e onde direcionar seus recursos. A tributação sobre a atividade incorre em custos mais elevados para os produtores e por isso a inibição de se investir em tal segmento. Com isso, alguns ofertantes terão que se retirar do mercado pois a elevação dos custos criadas pelo governo fez com que tornasse impossível seguir produzindo. E o destino final é, envariavelmete, fechar as portas.

O que se denota é a redução do número de ofertantes dando margem para aqueles que permanecem no mercado aumentar seus preços penalizando o consumidor que tinha acesso, quando o mercado estava livre, a uma ampla oferta de produtos a preços baixos.

É por isso que as imperfeições de governo são sempre muito mais maléficas sobre a economia do que as imperfeições do mercado.

23/05/2003

11 de mai. de 2003

Que primor de texto e de rara honestidade intelectual desse professor que não conheço mais gordo. O austríaco Friedrich A. von Hayek não foi brilhante somente no campo da ciência econômica, mas também se destaca no âmbito da filosofia, história e outras pesquisas.
Lucas

Von Hayek, Prêmio Nobel de Economia de 1974

por Hélio Socolik
(18/09/2002)

Friedrich August von Hayek dividiu o Prêmio Nobel de Economia de 1974 com o sueco Gunnar Myrdal. Conhecido simplesmente como Prof. Hayek por seus alunos, nasceu em Viena, Áustria, em 1899 e faleceu em 1998 (o autor errou, na verdade Hayek faleceu em 1991 aos 92 anos [Lucas]). Por que é importante recordar von Hayek hoje, um período conturbado com a crise mundial de recessão e desemprego e os novos desafios colocados pela globalização, a desestatização, o movimento internacional de capitais e os ataques especulativos ao real e a outras moedas de países emergentes?

Von Hayek representa, certamente, um pensador original, um economista que não se preocupou em pensar diferente da maioria de seus colegas, pois ele preferia a liberdade do setor privado em vez da ação do Estado como um melhor caminho para solução dos problemas econômicos. A observação de que vivemos hoje dias de recrudescimento de movimentos intelectuais contra o liberalismo e de programas que prevêem retorno à estatização, torna importante trazer alguns de seus pensamentos, que não constam normalmente dos textos colocados à disposição de nossos colegas estudantes, fato causado mais por desconhecimento de sua obra pelos próprios professores.

Como breve resumo de sua biografia, tem-se que von Hayek era filho de um professor de Botânica em Viena e aos 28 anos de idade assumiu o cargo de diretor do Instituto Austríaco de Pesquisas Econômicas, onde ficou por 4 anos; foi professor de Economia na Universidade de Viena, onde seguiu a escola austríaca de Economia dos mestres Menger, Wieser, Böhm-Bawerk e Mises. Com 32 anos foi professor na London School of Economics, onde permaneceu até 1950, quando transferiu-se para a Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, famosa por defender a economia de mercado. De 1962 a 1969 foi dar aulas em Freiburg, na Alemanha, de tradição liberal. Suas principais obras são "A teoria monetária e o ciclo do comércio" (1929), "Preços e Produção" (1931), "A teoria pura do capital" (1941), "O caminho da servidão" (1944), "Individualismo e Ordem Econômica" (1948), "A Constituição da Liberdade" (1960), "Direito, Legislação e Liberdade" (1974) e "Desestatização do Dinheiro" (1974). Talvez seu livro mais importante tenha sido "O caminho da servidão", onde o autor adverte o mundo de que o planejamento centralizado da economia leva as sociedades ao totalitarismo, ou seja, à supressão das liberdades individuais mais preciosas do homem, e que se referem às liberdades de consumir e de produzir. Nesse último livro Hayek apresenta a discussão de quatro propostas básicas para os homens refletirem a respeito, e que são:

as instituições que constituem a base da sociedade brotam da ação humana, mas não dos planos e do planejamento humanos;

numa sociedade livre a lei é fundamentalmente natural, não fabricada pela simples vontade dos governantes, sejam monarcas ou maiorias democráticas;

o Estado de direito constitui o primeiro e mais importante princípio da sociedade livre;

o Estado de direito exige que os homens sejam tratados com igualdade, mas o Estado de direito, além de não exigir que os homens sejam igualados, também será minado por qualquer tentativa nesse sentido.

O prof. Hayek é autor de teses as mais polêmicas, dentre as quais a desestatização da moeda, a completa liberdade econômica de produzir e de consumir e da democracia constituída de um órgão legislativo cujos componentes não devem ser vinculados a partidos políticos. A seguir, algumas frases mais interessantes do Prof. Hayek extraídas de artigos e livros, ou de declarações feitas em entrevistas:

"O controle e limitação dos poderes do Estado nos países em desenvolvimento deve ser ainda mais forte, pois nesses países o mercado e a concorrência ainda estão em processo de descoberta e, portanto, é onde a liberdade deve ser assegurada para criar o máximo de oportunidades para que essas descobertas se façam."

"Há funções que só podem ser cumpridas pelo governo e outras que ele cumpre melhor do que a iniciativa particular. Mas mesmo aí deve haver uma restrição: que essas atividades governamentais jamais tenham caráter de monopólio, que haja a concorrência da iniciativa particular."

"O desemprego é resultado da rigidez dos salários impostos pelos sindicatos e os governos. Os poderes excessivos dos sindicatos é que têm causado um declínio da produtividade e constituído os maiores obstáculos ao desenvolvimento econômico e social."

"Não devemos apenas à nossa inteligência a construção da ordem humana, que é hoje capaz de alimentar duzentas vezes mais gente do que havia na Terra há 5 mil anos. Há uma segunda herança que não é produto de nossa razão, uma herança moral que consiste na crença depositada na propriedade, honestidade e família, elementos que não podemos quantificar intelectualmente, mas que são os fundamentos de nossa civilização."

"Deveríamos permitir que as empresas privadas criassem, em regime de concorrência, suas próprias moedas e o público, representado pelo mercado, saberia acolher as boas e rejeitar as más. Os bancos centrais simplesmente desapareceriam, assim como os sistemas monetário e financeiro mundiais."

"O socialismo não passa de uma invenção de intelectuais, que tentaram dar-lhe uma justificação política. Não foi o proletariado que criou o socialismo, mas os intelectuais que têm a pretensão de saber mais do que o povo. O socialismo tem intenções até honrosas, mas é uma ilusão intelectual pretender que a razão humana possa reorganizar a sociedade tendo em vista objetivos que seriam conhecidos e previstos."

"Karl Marx ensinou que o proletariado é uma criação do capitalismo. Na verdade, é. Mas não por exploração, como quer o marxismo. O capitalismo criou o proletariado na medida em que possibilitou a sobrevivência de pessoas que sem ele não teriam como viver."

"Se os políticos não destruírem o mundo, seus sucessores pertencerão a uma nova geração, mais liberal e mais razoável. Temos assistido ao surgimento de uma elite que compartilha meu liberalismo radical. A escolha do liberalismo não é um problema de valor moral ou de preferência. Trata-se de uma questão científica objetiva. Quem consulta a história da humanidade tem ocasião de constatar que a ambição de programar o desenvolvimento social conduz às piores catástrofes." (negrito meu)

Instigante, não? E agora, que tal lermos o Prof. Hayek e discutirmos suas idéias?

Fonte: http://www.vemconcursos.com.br/opiniao/index.phtml?page_ordem=visitados&page_autor=17&page_id=922

5 de mai. de 2003

DESMESTIFICANDO FALSOS DOGMAS

"Laissez-faire não significa: deixem funcionar as forças mecânicas e desalmadas.
Significa: deixem os indivíduos escolherem de que maneira desejam cooperar
na divisão social do trabalho; deixem que os consumidores determinem o que
os empresários devem produzir. Planejamento significa: deixem ao governo a
tarefa de escolher e a capacidade de impor suas decisões por meio do aparato
de coerção e compulsão".


Ludwig von Mises, sobre o significado de laissez-faire na pág 735 de sua monumental obra "Ação Humana - Um tratado de Economia".

29 de abr. de 2003

A VERDADE SOBRE A GLOBALIZAÇÃO

Og Leme
do Instituto Liberal do Rio de Janeiro


Ao contrário do que propala a mentirosa campanha da "esquerda" contra a abertura comercial dos países, a assim chamada globalização tem gerado indisfarçáveis benefícios para os que dela participam, ainda que alguns possam ganhar mais do que outros. Os países sub-desenvolvidos e em fase de crescimento não são exceções, isto é, têm igualmente participado desses benefícios. Isso não quer dizer que todos os países menos evoluídos economicamente tenham se beneficiado da globalização; os que não têm tido benefícios são exatamente aqueles que não se têm aberto para o intercâmbio mundial.

O parágrafo anterior resume a tese do livro In Defence of Global Capitalism, escrito por um jovem sueco de nome Johan Norberg e editado pela instituição liberal sueca Timbro, 2001, 291 páginas. A Timbro é a mesma editora que lançou o livro The Sorrows of Carmencita, de Maurício Rojas, uma excelente análise do drama recente vivido pela Argentina e que será lançado no Brasil, nos próximos dois a três meses, pelo IL do Rio de Janeiro.

O autor, Johan Norberg, é um especialista em história dos ideais e tem publicado livros sobre direitos humanos e liberalismo clássico. Sua tese sobre as vantagens da liberdade econômica interna e no comércio mundial é escrita em linguagem de fácil leitura e calçada em extensa documentação estatística.

Destaco os quatro pontos principais do novo livro de Norberg:

1. Com o livre comércio e o capitalismo, a pobreza e as desigualdades estão tendendo a diminuir no mundo.

2. Nos países em desenvolvimento que mais têm avançado na liberalização comercial tem havido também maior redução da fome e outras formas de privação do que nos outros países.

3. Os salários e as condições de trabalho no Terceiro Mundo estão melhorando em parte devido às empresas multinacionais.

4. Os mercados financeiros livres internacionais têm sido mais eficazes do que a ajuda ao desenvolvimento no combate à pobreza.

O livro de Norberg tem influenciado fortemente o debate entre os suecos sobre os reais efeitos da economia de livre mercado e da globalização. O IL está cogitando lançar futuramente o livro de Johan Norberg. Enquanto isso não acontece, as pessoas interessadas em lê-lo poderão fazê-lo recorrendo ao exemplar em inglês existente na biblioteca do Instituto.

Encerro, traduzindo o conceito de Norberg sobre capitalismo: "[...] é a economia de livre mercado, com o seu sistema de livre concorrência baseado no direito de cada um de usar sua propriedade, a liberdade de negociar para fechar contratos e iniciar atividades empresarias. Estou defendendo, então, é a liberdade individual na economia".

Og Leme é Economista, Doutor em Economia, professor e diretor do IL do Rio de Janeiro.

18 de abr. de 2003

PÉROLA DA SEMANA

Na capa da Gazeta Mercantil do dia 14/04 está a seguinte matéria:

Indústria de tratores prevê expansão no pós-guerra

Rondonópolis (MT), 14 de Abril de 2003 - As vendas de tratores e colheitadeiras vão crescer nos mercados interno e externo com o fim da guerra no Iraque, segundo previsões dos fabricantes de máquinas e implementos agrícolas presentes na Agrishow Cerrado, exposição realizada em Rondonópolis (MT).

"A história mostra que após a guerra cresce a demanda por alimentos e máquinas agrícolas", diz Martin Mundstock, diretor comercial da John Deere para a América do Sul. "O mundo não vai deixar de comer por causa da guerra", afirma Carlito Eckert, diretor nacional de vendas da Agco


- Esse Sr. Martin Mundstock, diretor da John Deere, perdeu totalmente o senso das proporções e falou uma baita bobagem e pior, o maior e melhor jornal de Economia desde país reproduz a asneira em sua capa. Ora, nem se compara os reflexos de uma guerra extremamente regionalizada que assola o oriente médio com os efeitos de uma guerra mundial como aquela que o mundo passou na década de 40.
E ademais, depois da grande guerra o mundo passou pelo que conhecemos "baby boom", isto é, o elevado crescimento demográfico em escala planetária e a reconstrução da economia européia e japonesa juntamente com o crescimento das economias em desenvolvimento (Brasil, Argentina, México, Chile etc) o que resultou, obviamente, no grande aumento do consumo de alimentos.

O que é incrível frente a esse fato histórico é denotar que o Sr. Mundstock conclua (em vista da experiência histórica com o fim da 2ª guerra mundial) que o fim do conflito no Iraque vai alavancar o consumo de alimentos e de máquinas agrícolas no mundo todo. É patético.


O Capitalismo segundo George Reisman

Alguns pensamentos básicos a respeito da Natureza Benevolente do Capitalismo é a primeira de várias palestras, artigos e ensaios de George Reisman que Edward Wolff traduzirá especialmente para o Mídia sem Máscara.

Reisman foi aluno de Mises e tem sido um grande "continuador" de sua obra, embora com um viés um pouco diferente.

17 de abr. de 2003

Novo Blog

Está no ar um novo blog. O Liberal é um blogue baseado nas idéias de Adam Smith, Ludwig von Mises e Friedrich A. von Hayek. A velha e boa tradição austríaca. Os artigos já disponíveis versam sobre temas como o papel do Estado (que remonta Smith); o Liberalismo (sobre a obra de mesmo nome do mestre von Mises) e por fim ressalto, um sobre o fracasso cabal do socialismo (tanto teoricamente quanto na prática) num artigo seminal, dentre outros temas sobre a filosofia liberal. Baita blogue! Os artigos se destacam também pelo refinado trado com a escrita.

Valeu Thiago pela monumental força!

Para você não perder mais tempo, vai o endereço já linkado: www.oliberal.blogger.com.br


Recebi o tesouro

Hoje (15.03.2003) recebi o livro Ação Humana. Acabei de ler a introdução de apenas 11 páginas. Sabe o que me deu vontade de fazer. Atirar os livros "científicos" de Keynes e keynesianos; de Marx e marxistas no fogo, mas antes disso afogá-los num balde de gasolina para ter a certeza de que queimarão. O livro é absolutamente FANTÁSTICO. Von Mises é um GÊNIO! Estou ainda mais realizado por saber que ainda tem quase novecentas páginas pela frente!

Enquanto o Brasil seguir ignorando esse tratado de Economia seguiremos avante no caminho da marginalidade, da ignôrancia, da arrôgancia e da utopia.

Agora é tempo de aula e também trabalho, o que vai impossibilitar uma leitura incisiva da obra. Contudo, pretendo ir escrevendo comentários no blog conforme cada trecho do livro que ler. Penso que seria muito bom para mim e para os meus poucos mas valiosos leitores. Vamos ver...

13 de abr. de 2003

Por que o socialismo não funciona

Álvaro Pedreira de Cerqueira

Todas as doutrinas políticas prometem o bem-estar do povo, ou o que as esquerdas chamam de ‘justiça social’, conceito que ninguém consegue definir com clareza. Aliás, nem Marx nem seus seguidores jamais explicaram o funcionamento de uma sociedade socialista. Porém, Ludwig von Mises, economista e professor austríaco, em seu livro ‘Socialismo’, publicado em 1922, previu com acerto que o socialismo, se levado às suas útimas conseqüências, não poderia funcionar, isto é, satisfazer a sua promessa de prover o verdadeiro bem-estar da sociedade. Isto porque, com o planejamento centralizado em lugar de um sistema de preços livremente estabelecidos pelo mercado, não poderia contar com esta ferramenta – os preços livres – indispensável para que os agentes econômicos possam determinar, com a menor margem de erro possível, o que produzir, em que quantidades e momentos. Somente uma economia de livre mercado, com a mínima intervenção do governo, oferece as condições para maximizar-se a produção e o consumo, mantendo elevada a taxa de emprego. Além disso, uma economia sadia para funcionar bem requer um sistema político assentado num arcaboço legal (constituição) que limite o poder de legislar dos políticos e da burocracia do Estado, e defenda os direitos fundamentais dos cidadãos, como o direito à vida, à propriedade privada, enfim, assegure a liberdade individual, vedando qualquer tipo de privilégio a quem quer que seja. Trata-se de um sistema em que prevaleça o governo da lei e não a lei do governo. Este corpo de leis fundamentais deve conter apenas os artigos que tratem destas questões fundamentais, deixando para a legislação ordinária outros detalhes de organização da sociedade. Mas a Constituição deve impedir também que a legislação ordinária conceda quaisquer privilégios a pessoas, grupos ou empresas.

Na Inglaterra, um outro professor austríaco, ex-aluno e colaborador de von Mises em Viena, Friedrich Hayek, que receberia o prêmio Nobel de Economia de 1974, publicou em 1944 seu livro ‘O caminho da servidão’, confirmando a previsão de Mises de que o socialismo, mesmo moderado, acabaria levando a sociedade que o adotasse à tirania e ao fracasso econômico e social. O que se confirmou após quase trinta anos de governo socialista do Partido Trabalhista inglês, que estatizou a economia, produzindo inflação, alto desemprego e sucateamento da indústria britânica, até que o governo liberal do Partido Conservador, com Margaret Thatcher no poder, restaurasse a economia e o emprego. Na União Soviética, desde 1917, o socialismo já havia sido implantado à custa de umas 50 milhões de vidas. O nacional-socialismo (ou nazismo) na Alemanha resultou na Segunda Grande Guerra, com 44 milhões de mortos, aí incluído o extermínio de 6 milhões de judeus. Isto é o socialismo real. Veja-se também Cuba, Albânia e Coréia do Norte, que proporcionam literalmente a fome de seus povos.

No Brasil as esquerdas vêm há décadas se preparando para implantar o socialismo, através do lento processo gramsciano de doutrinação nas escolas públicas de todos os níveis e através da imprensa. Seria o socialismo tardio, pois o fracasso desse sistema político como forma de distribuição de riqueza está mais do que comprovado. As esquerdas argumentam que o capitalismo, e mais recentemnte o neoliberalismo adotado no governo FHC levaram à elevada concentração da renda e da riqueza. Ora o Brasil nunca adotou o regime democrático de livre mercado capitalista, e somente as privatizações do governo FHC não são suficientes para caracterizá-lo como liberal. Continuamos no sistema mercantilista da colonização portuguesa, com o velho Estado patrimonialista e cartorial de sempre, onde o desenfreado empreguismo com nepotismo levaram este país a ter uma das mais altas cargas tributárias do mundo, concentrada numa minoria da sociedade, que se destina a satisfazer os ganhos exorbitantes e as gordas aposentadorias da alta burocracia, e nada beneficia os cidadãos contribuintes ou não. Estes, por não terem, em sua maioria, acesso ao ensino básico, nem ao saneamento nem à saúde pública, não se podem habilitar a bons empregos, com remuneração condigna, e se mantêm na condição de "excluídos" da economia monetária, na pobreza ou mesmo na miséria. A implantação do socialismo não vai alterar essas causas. Vai mantê-las, distribuindo a pouca riqueza entre os militantes dos partidos socialistas então aboletados nos cargos públicos, formando a nova Nomenklatura. As massas pobres continuarão iludidas por promessas vazias, como em Cuba.

Vice-presidente do Instituto Liberal-MG

6 de abr. de 2003

"Conversas Assombrosas"

Hoje eu conversei pelo ICQ com a irmã de meu amigo, o Jayson, cujo diálogo reproduzo logo abaixo. Achei pertinente publicar nossa conversa virtual pois, a irmã do Jayson, a minha amiga Juliana, é estudante de Fisioterapia, tem 17 ou 18 anos e suas palavras evidenciam a mentalidade pueril de uma jovem pela qual não tem culpa do estado de doutrinação política que está submersa, trabalho feito pelo discurso hegemônico de nossas classes letradas. Eu também passei por isso, como falei pra ela. Sua mensagem inicial, começa a partir de um e-mail que a mandei contendo o artigo "Denuncias Assombrosas" do Porf. Olavo de Carvalho que também é possível ler aqui no blog logo mais abaixo.

É com prazer, portanto, e com muito respeito que apresento aos leitores nosso amigavel diálogo, devidamente autorizado por ela:
Ops: Jayson é o irmão dela, dono do ICQ, por isso leia-se Juliana.

Jayson (7:04 PM) :
naum gostei dakele e-mail q tu mandou...falando akeles negocio do pt
Austríaco (7:05 PM) :
desculpa não quis te magoar nem dar lição de moral, foi apenas com afeto.
Jayson (7:05 PM) :
tu soh ve o lado da direita...
Austríaco (7:05 PM) :
não acredito nisso não...
Austríaco (7:05 PM) :
como assim?
Austríaco (7:06 PM) :
qual artigo eu lhe enviei?
Jayson (7:06 PM) :
eh o q eu penso qdo leio o q tu escreve..
Jayson (7:06 PM) :
naum o q tu escreve os negocio q tu manda!!!
Jayson (7:07 PM) :
dakele jornalista q fala q o pt tem ligaçao com a farc
Austríaco (7:08 PM) :
A tá, bom, sim as farc ajudaram nas elições do PT com 5 milhões de reais... é triste, lamentável, mas real... tu sabe o que é as farc?
Jayson (7:08 PM) :
claro q sei...forças armadas revolucionarias da colombia
Jayson (7:09 PM) :
eu naum acredito nisso!!!
Austríaco (7:10 PM) :
bom o tempo dirá a verdade, pricipalmente se a CPI que o deputado Alberto Fraga está tentando abrir apra as investigações, pois provas do fato ele tem.... vamos esperar...
Austríaco (7:11 PM) :
as vezes a verdade é tão dolorida que agente se esforça para não enxergar.
Jayson (7:12 PM) :
eh q tem muita gente q tenta "derrubar"o pt...e sai com essas coisas sem nexo
Austríaco (7:15 PM) :
é verdade sem nexo quando toda a mídia nacional, os intelectuais, as editoras de livros, são todos cumplices da esquerda triunfante, então quando alguem independente investiga e descobre verdades inconvenientes, todo mundo só pode achar sem nexo, pois, como pode se eles são tão "éticos" e democráticos" e "cheio das boas intenções" é essa a mentalidade que com extremo sucesso as elites letradas formaram em nosso país. Sugiro a leitura de "O Imbecil Coletivo" do Olavo de Carvalho, que agora está recebendo novas ameaças de morte por botar o dedo na ferida!
Austríaco (7:18 PM) :
www.olavodecarvalho.org leia e se desintoxique da imbecialidade que tomou conta do senso comum brasileiro. Ler Olavo de Carvalho é como receber um copo d'agua em meio o deserto escaldante.
Jayson (7:19 PM) :
vc como uma pessoa esclarecida precisa fazer outras leituras e naum deixar-se dominar pelas idéias de apenas uma pessoa q eh como todos sabem extrema direita!!!
Austríaco (7:22 PM) :
extrema direita!!!!! faz-me rir... sugiro que leia qualquer livro dele para depis formar algum juízo do cara. Foi o Olavo que me salvou do marxismo e do esquerdismo que me dominou quando entrei na facul, Juliana, eu só faltava pegar a bandeira do MST e sair pela cidade....
Jayson (7:23 PM) :
o nosso brasil chegou ao extremo q chegou pq até agora foi dominado pela tão considerada direita!!! e vc acha q tava bom assim??
Austríaco (7:25 PM) :
ahahhahhahhaha!!!! DIREITA!!!! sim a direita patrimonialista!!!!!! estatista!! a mesma conduta tomada por Lula neste momento, contudo, lula é da esquerda estatista, ou seja, farinha do mesmo saco. apenas o lado, dentro do saco, é diferente.
Jayson (7:28 PM) :
concordo contigo...soh acho q com o pt no governo pior naum vai fica!!!!ele nos mostrou q naum precisamos de dominaçao e q podemos buscar a nossa propria independencia!!!
Jayson (7:28 PM) :
podemos viver sem ser dominados por forças maiores!!
Jayson (7:28 PM) :
eu acho q houve uma conscientizaçao da sociedade brasileira!
Austríaco (7:29 PM) :
Leia "O Dinossauro - Uma investigação sobre o Estado, o patrimonialismo selvagem e a nova classe de intelectuais e burocratas" de J. O. de Meira Penna. Este livro elucida as verdadeiras causas de nosso atraso e subdesenvolvimento. Está lá tanto a direita patrimonialista quando a esquerda radical, a diferença é que esta leva-nos ao abismo de forma mais rápida.
Austríaco (7:34 PM) :
Nós DEVEMOS viver sem ser dominados por qualquer força coerciva. Hoje esta força se chama ESTADO que rouba 36,7% da renda nacional via tributos e em contrapartida, nada nos devolve. Isso imperra toda a geração de poupança e riqueza de uma economia. A uma década estamos crescendo mediocramente. (1,5% em média) com uma carga tributária dessas não há iniciativa que prospere, é preciso reduzir o compulsório de quem trabalha e produz. Pergunte pro seu pai sobre isso, tenho certeza que ele concorda. E pasme: isso se chama LIBERALISMO!!!!!
Jayson (7:35 PM) :
eu acho q nossas visoes sao diferentes e eh melhor naum falar mais nisso!! por enquanto pensar nessa massa de pessoas excluidas da sociedade por varias razoes para mim eh o mais importante e isto o unico partido q faz eh o partido dos trabalhadores!!
Austríaco (7:39 PM) :
o problema é qu este partido é socialismo, e isso significa que ele pretende tirar o povo da miséria dando comida, tornando assim o povo dependente do partido e fazendo-o de massa de manobra. Isso é característica dos partidos de cunho socialista. Porém, nunca na história da humanidade um governo tirou seu povo da miséria. Verifiqueo os EUA, por exemplo, país em que os trabalhadores tem a melhor condição de vida, não é o governo, o partido que mantem isso, mas o desenvolvimetno gerado pela atividade econômica salutar. É simples assim.
Austríaco (7:40 PM) :
tudo bem, deixa pra lá....... conte comigo quando quiser ouvir algumas "direitiçes"....
Jayson (7:41 PM) :
mas se vc considera a direita tao boa...pq acha q o país chegou aonde chegou?? e eles nunca denunciaram a fome...os excluidos...??
Jayson (7:49 PM) :
??????
Austríaco (7:49 PM) :
primeiro, eu não acho a direita tão boa! Acho o socialismo terrível e para isso não preciso estar criticando em nome de outra ideologia. Isso é cacoete mental que os socialistas incucam na mente dos individuos, ou melhor, para soar politicamente correto, dos "cidadãos", ok. Repito, pois: o nosso atraso deve ao tamanho da máquina estatal que retira dinheiro da economia para pagar suas dívidas originadas no passado pela mania estatista de crescimento (coisa que abomino) e para sustentar a classe parasitária, o funcionalismo público que vive em Brasília. Voce não sabe, naturalmente, por que não estuda economia, o que significa uma tributação pesada sobre a atividade econômica. Pois lhe falo: significa a essencia de nosso atraso, de nossa desigualde gritante, dos bolsões de miséira, da fome aguda etc, etc. Só o "enxugamento" do Estado, retirando seu peso sobre a economia é que virá a geração de emprego, renda e estinção da fome. Quando o governo "dá" é nós quem paga! Não existe almoço gratis. O governo nunca dá nada, alguem tem que pagar. É ilusão pensar que a solução passa pela mão do governo, ao contrário, ele é o problema.
Jayson (7:53 PM) :
concordo mais uma vez com suas consideraçoes...mas o importante eh pensar o q eh bom para a sociedade coletiva e naum apenas para uma minoria como foi feito até o momento...assunto encerrado!!!
Austríaco (7:53 PM) :
Exato! ehehehehehehe tenha uma boa noite!